Sofrer “de cara” . Beber o cálice de sofrimento

“J’ai soif.” Le vinaigre donné à Jésus – J. J. Tissot

“deram-lhe a beber vinho com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber.”

Mateus 27:34 – ARA

Todos os evangelhos (Mc 15.36, Lc 23.36 e Jo 19.29) registram essa oferta dos soldados do vinho com fel ou seja , precisamos dar atenção a isso. Somente o verso de Mateus em comparação aos demais registra que Jesus recusou-se a beber .

Devemos nós também seguir Jesus no sentido de não somente aprender o que ele fala mas cada um dos seus gestos diante de suas realidades. Sempre haverá ofertas de “entorpecentes” quando estamos passando pelos nossos momentos de lutas, aflições e provações. Sempre haverá um pão sugerido pelo diabo para saciar nossa fome (Mt 4.2-4). Sempre haverá pessoas que amamos porém que sem vigiar vão sugerir saídas contrárias ao desígnio de Deus para nós (Jó 2.8-10) .

A dor e o sofrimento quando percebidos partindo da vontade e permissão de Deus nos fará receber como dádiva divina até os momentos mais duros da vida. Jesus estava muito consciente disso (Jo 18.11) e quer que nós que o seguimos estejamos também (Mt 10.24-39). Em meio às nossas dores o próprio Pai nos dará o auxílio que precisamos em tempo oportuno. O Espírito Santo nos capacita a viver o caminho em Cristo proposto pelo Pai. Podemos questionar as medidas das dores que passamos mas, nosso coração só encontrará descanso na certeza do amor do Pai e em como Ele, quando não nos priva de passar por algo doloroso, cuida cuida de nós em meio a dor (1 Co 10.13, Rm 8.28) . (Ouça o louvor abaixo)

Vai valer a pena – Livres para Adorar

Jesus já estava bebendo o cálice do sofrimento oferecido pelo Pai ou seja, sua cruz. A oferta do vinho misturado com o fel era um entorpecente que iria anestesiar-lhe do sofrimento naquele momento mas como vemos, Ele rejeitou. Veja que não estou falando aqui de rejeitar medicações para tratamentos de doenças crônicas numa expressão de fanatismo religioso.

Não podemos ignorar que há um sistema maligno em operação no mundo. Esse sistema mundano trabalha para nos entorpecer e provocar devassidão. Seja o consumo desenfreado, as baladas, a sede pela riqueza e até o mercado religioso, nesse sistema, nada que afronte meu prazer individual, que contrarie minhas vontades e meu jeito particular de viver é bem-vindo. Tudo é classificado como tóxico e precisa ser evitado ou cancelado. SHá uma busca frenética por bem-estar contínuo como uma droga que te deixa “high” mas vai gerando dependência e uma resistência psicológica que exige doses cada vez mais altas e no fim deságuam no mesmo buraco existencial é um rastro de sofrimento e morte (veja esse vídeo).

É preciso discernir entre a ajuda que o Pai envia, como por exemplo o Simão Cireneu que forçadamente ajudou Jesus a carregar a cruz por um trecho e as “pseudo-ajudas” e auto-ajudas que nos são dispostas para alívio. Será que todas elas vem de Deus? Claro que não! Jesus mostra isso.

“Desde aquele momento Jesus começou a explicar aos seus discípulos que era necessário que ele fosse para Jerusalém e sofresse muitas coisas nas mãos dos líderes religiosos, dos chefes dos sacerdotes e dos mestres da lei, e fosse morto e ressuscitasse no terceiro dia. Então Pedro, chamando-o à parte, começou a repreendê-lo, dizendo: “Nunca, Senhor! Tem compaixão de ti, Senhor. Isso nunca te acontecerá!” Jesus virou-se e disse a Pedro: “Para trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, e não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens”. Então Jesus disse aos seus discípulos: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?”
‭‭

Mateus‬ ‭16‬:‭21‬-‭26‬ ‭NVI‬‬
https://bible.com/bible/129/mat.16.21-26.NVI

Sejamos cuidadosos para discernir e não tomar o vinho com fel oferecido pelos que estão com “pena de nós” pelo sofrimentos terrenos que passamos, ou até mesmo dos atalhos e caminhos alternativos que buscamos em busca de “felicidade”. Saibamos beber o cálice na medida que o Pai nos dá , com vistas de nos alinhar ele aperfeiçoar para a eternidade e nisso encontraremos a real felicidade hoje.

Sempre teremos diante de nós a decisão de em qual medida devemos suportar ou não as dores da vida. Essas dores se revelam nas perdas, traições , frustrações e até inconveniências e incômodos que se apresentam nas relações com o cônjuge, amigos, colegas de trabalho, parentes e irmãos de igreja. Podemos ir pelo caminho de preferir o que for mais fácil, o que der prazer , o que evite renúncias , dores e constrangimentos mas será que estaremos vivendo a verdadeira vida. Podemos decidir seguir a Cristo e nEle viver o caminho que é da vontade do Pai.

Veja também a mensagem que preguei no Aprisco sobre esse tema, clicando aqui. (Adiante para 31 min.)

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