O Discipulado Cristão


Vivemos em uma época em que todos estão sendo discipulados por alguma coisa ou por alguém. Talvez nunca tenha sido tão evidente que a influência molda o ser humano. Pessoas, ideologias, entretenimento, redes sociais, meios de comunicação, ambientes profissionais, amizades e até mesmo a cultura ao nosso redor trabalham constantemente na formação do nosso modo de pensar, sentir e agir.

O discipulado é, talvez, o mecanismo mais intenso e eficaz para a formação do caráter de uma pessoa. Ele não transmite apenas informações; transmite valores, convicções, hábitos e uma maneira de viver.

Enquanto escrevo estas linhas, inúmeros processos de discipulado acontecem ao mesmo tempo. Jovens aprendem filosofias nos bancos das escolas; amigos influenciam uns aos outros em suas conversas; homens e mulheres têm sua visão de mundo moldada pelos programas de televisão, pelas notícias, pelos filmes, pelas músicas e, hoje mais do que nunca, pelas redes sociais. Muitos acabam absorvendo conceitos completamente distantes da vontade de Deus, tornando-se discípulos de uma cultura que valoriza o ego, o prazer imediato, o sucesso a qualquer custo e a independência do Criador.

Em outras palavras, todos estão sendo discipulados.

A grande questão não é se alguém está sendo discipulado, mas por quem e para quê.

É justamente nesse contexto que surge o discipulado cristão, o único discipulado capaz de restaurar o ser humano à plenitude para a qual Deus o criou.

O discipulado cristão nasceu no próprio coração de Cristo. Ao iniciar seu ministério terreno, Jesus sabia que sua missão não terminaria na cruz nem em sua ascensão aos céus. Era necessário que sua vida continuasse sendo reproduzida em outras vidas.

Por isso, mais do que reunir multidões para ouvi-lo, Jesus escolheu homens comuns para caminharem ao seu lado. Eles observariam sua vida, seu caráter, suas palavras, suas decisões, sua compaixão, sua firmeza, sua oração e sua completa dependência do Pai.

Jesus não apenas ensinava em sermões. Ele ensinava vivendo.

Durante aproximadamente três anos, aqueles homens caminharam diariamente ao seu lado. Comeram com Ele. Dormiram próximos dEle. Viajaram com Ele. Presenciaram milagres. Ouviram suas correções. Receberam encorajamento. Foram confrontados em seus erros. Aprenderam a servir, a amar, a perdoar e a depender totalmente de Deus.

Mais do que transmitir conhecimento, Jesus transmitia vida.

Seu objetivo era que tudo aquilo que havia recebido do Pai fosse reproduzido na vida daqueles discípulos: seu caráter santo, sua intimidade com Deus, sua autoridade espiritual, sua compaixão pelas pessoas, sua fidelidade às Escrituras e sua completa submissão à vontade do Pai.

Ao final daquele processo, aqueles homens já não eram apenas seguidores de Jesus. Haviam se tornado parecidos com Ele.

Foi então que receberam a Grande Comissão:

“Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações…” (Mateus 28.19-20).

Perceba que Jesus não ordenou apenas que pregássemos. Ele ordenou que fizéssemos discípulos.

Existe uma enorme diferença entre converter pessoas e discipulá-las.

Converter é o início da caminhada.

Discipular é acompanhar alguém até que Cristo seja formado nele.

Esse chamado também aparece em Lucas 9.23, quando Jesus declara:

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.”

Ninguém pode conduzir outra pessoa a uma vida de discipulado sem antes viver essa experiência.

Antes de discipular alguém, preciso ser discípulo.

Antes de ensinar, preciso aprender.

Antes de corrigir, preciso permitir que Deus corrija meu próprio coração.

Antes de formar pessoas, preciso continuar sendo formado por Cristo.

Foi exatamente isso que aconteceu com Paulo. Depois de sua conversão, Deus trabalhou profundamente seu orgulho, sua religiosidade, seus conceitos e sua maneira de enxergar o Reino. Enquanto servia à igreja, ele próprio continuava sendo moldado pelo Espírito Santo.

Assim também acontece conosco.

Enquanto discipulamos outras pessoas, Deus continua nos discipulando.

Muitas vezes, o Senhor utiliza exatamente aqueles que estamos ensinando para revelar áreas de nossa própria vida que ainda precisam ser transformadas.

O discipulado, portanto, não é um relacionamento entre um mestre perfeito e um aluno imperfeito.

É a caminhada de dois pecadores sendo aperfeiçoados por Cristo.

Discipular é investir tempo.

É abrir espaço na agenda.

É compartilhar refeições.

É caminhar junto.

É ouvir.

É aconselhar.

É corrigir com amor.

É celebrar conquistas.

É chorar junto nas derrotas.

É ensinar pela Palavra, mas principalmente pelo exemplo.

As pessoas raramente reproduzem apenas aquilo que ensinamos.

Elas reproduzem aquilo que somos.

Por isso, o discipulado não acontece apenas em uma sala de aula, em um curso ou durante um estudo bíblico.

Ele acontece na convivência.

Jesus discipulou andando.

Discipulou servindo.

Discipulou trabalhando.

Discipulou descansando.

Discipulou orando.

Discipulou enfrentando crises.

Discipulou amando pessoas difíceis.

Seu método foi a vida compartilhada.

Esse continua sendo o modelo da Igreja.

O verdadeiro discipulado não produz admiradores do discipulador.

Produz seguidores de Cristo.

O alvo nunca é criar dependência de pessoas, mas conduzir homens e mulheres a uma maturidade espiritual em que aprendam a ouvir a voz do Senhor, amar sua Palavra, servir sua Igreja e fazer novos discípulos.

Assim, o Reino de Deus continua avançando de geração em geração.

Meu desejo é que Deus me conceda a graça de investir minha vida na vida de outras pessoas, permitindo que o caráter de Cristo seja cada vez mais evidente em mim e, através de mim, alcance muitos outros.

Que cada pessoa que caminhe ao meu lado possa enxergar menos de Alex e mais de Jesus.

E que aqueles que forem discipulados também se tornem discipuladores, para que a corrente da graça nunca seja interrompida, até que toda a Terra seja alcançada pelo evangelho de Cristo.

“O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele que for bem instruído será como o seu mestre.” (Lucas 6.40)

Que Cristo seja formado em nós, para que possa ser visto através de nós.

Alex Barreto Cosmo

Pelo estilo da escrita, parece um artigo ou reflexão que você preparou ainda no início do ministério. Mantive a ideia central, preservei o máximo possível da estrutura e da “voz” do autor, mas reescrevi tudo em português mais fluido, desenvolvendo os argumentos, preenchendo as lacunas e organizando o pensamento. Se eu não soubesse que havia sido escrito há muitos anos, diria que foi produzido para um livro.


O Discipulado Cristão

Vivemos em uma época em que todos estão sendo discipulados por alguma coisa ou por alguém. Talvez nunca tenha sido tão evidente que a influência molda o ser humano. Pessoas, ideologias, entretenimento, redes sociais, meios de comunicação, ambientes profissionais, amizades e até mesmo a cultura ao nosso redor trabalham constantemente na formação do nosso modo de pensar, sentir e agir.

O discipulado é, talvez, o mecanismo mais intenso e eficaz para a formação do caráter de uma pessoa. Ele não transmite apenas informações; transmite valores, convicções, hábitos e uma maneira de viver.

Enquanto escrevo estas linhas, inúmeros processos de discipulado acontecem ao mesmo tempo. Jovens aprendem filosofias nos bancos das escolas; amigos influenciam uns aos outros em suas conversas; homens e mulheres têm sua visão de mundo moldada pelos programas de televisão, pelas notícias, pelos filmes, pelas músicas e, hoje mais do que nunca, pelas redes sociais. Muitos acabam absorvendo conceitos completamente distantes da vontade de Deus, tornando-se discípulos de uma cultura que valoriza o ego, o prazer imediato, o sucesso a qualquer custo e a independência do Criador.

Em outras palavras, todos estão sendo discipulados.

A grande questão não é se alguém está sendo discipulado, mas por quem e para quê.

É justamente nesse contexto que surge o discipulado cristão, o único discipulado capaz de restaurar o ser humano à plenitude para a qual Deus o criou.

O discipulado cristão nasceu no próprio coração de Cristo. Ao iniciar seu ministério terreno, Jesus sabia que sua missão não terminaria na cruz nem em sua ascensão aos céus. Era necessário que sua vida continuasse sendo reproduzida em outras vidas.

Por isso, mais do que reunir multidões para ouvi-lo, Jesus escolheu homens comuns para caminharem ao seu lado. Eles observariam sua vida, seu caráter, suas palavras, suas decisões, sua compaixão, sua firmeza, sua oração e sua completa dependência do Pai.

Jesus não apenas ensinava em sermões. Ele ensinava vivendo.

Durante aproximadamente três anos, aqueles homens caminharam diariamente ao seu lado. Comeram com Ele. Dormiram próximos dEle. Viajaram com Ele. Presenciaram milagres. Ouviram suas correções. Receberam encorajamento. Foram confrontados em seus erros. Aprenderam a servir, a amar, a perdoar e a depender totalmente de Deus.

Mais do que transmitir conhecimento, Jesus transmitia vida.

Seu objetivo era que tudo aquilo que havia recebido do Pai fosse reproduzido na vida daqueles discípulos: seu caráter santo, sua intimidade com Deus, sua autoridade espiritual, sua compaixão pelas pessoas, sua fidelidade às Escrituras e sua completa submissão à vontade do Pai.

Ao final daquele processo, aqueles homens já não eram apenas seguidores de Jesus. Haviam se tornado parecidos com Ele.

Foi então que receberam a Grande Comissão:

“Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações…” (Mateus 28.19-20).

Perceba que Jesus não ordenou apenas que pregássemos. Ele ordenou que fizéssemos discípulos.

Existe uma enorme diferença entre converter pessoas e discipulá-las.

Converter é o início da caminhada.

Discipular é acompanhar alguém até que Cristo seja formado nele.

Esse chamado também aparece em Lucas 9.23, quando Jesus declara:

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.”

Ninguém pode conduzir outra pessoa a uma vida de discipulado sem antes viver essa experiência.

Antes de discipular alguém, preciso ser discípulo.

Antes de ensinar, preciso aprender.

Antes de corrigir, preciso permitir que Deus corrija meu próprio coração.

Antes de formar pessoas, preciso continuar sendo formado por Cristo.

Foi exatamente isso que aconteceu com Paulo. Depois de sua conversão, Deus trabalhou profundamente seu orgulho, sua religiosidade, seus conceitos e sua maneira de enxergar o Reino. Enquanto servia à igreja, ele próprio continuava sendo moldado pelo Espírito Santo.

Assim também acontece conosco.

Enquanto discipulamos outras pessoas, Deus continua nos discipulando.

Muitas vezes, o Senhor utiliza exatamente aqueles que estamos ensinando para revelar áreas de nossa própria vida que ainda precisam ser transformadas.

O discipulado, portanto, não é um relacionamento entre um mestre perfeito e um aluno imperfeito.

É a caminhada de dois pecadores sendo aperfeiçoados por Cristo.

Discipular é investir tempo.

É abrir espaço na agenda.

É compartilhar refeições.

É caminhar junto.

É ouvir.

É aconselhar.

É corrigir com amor.

É celebrar conquistas.

É chorar junto nas derrotas.

É ensinar pela Palavra, mas principalmente pelo exemplo.

As pessoas raramente reproduzem apenas aquilo que ensinamos.

Elas reproduzem aquilo que somos.

Por isso, o discipulado não acontece apenas em uma sala de aula, em um curso ou durante um estudo bíblico.

Ele acontece na convivência.

Jesus discipulou andando.

Discipulou servindo.

Discipulou trabalhando.

Discipulou descansando.

Discipulou orando.

Discipulou enfrentando crises.

Discipulou amando pessoas difíceis.

Seu método foi a vida compartilhada.

Esse continua sendo o modelo da Igreja.

O verdadeiro discipulado não produz admiradores do discipulador.

Produz seguidores de Cristo.

O alvo nunca é criar dependência de pessoas, mas conduzir homens e mulheres a uma maturidade espiritual em que aprendam a ouvir a voz do Senhor, amar sua Palavra, servir sua Igreja e fazer novos discípulos.

Assim, o Reino de Deus continua avançando de geração em geração.

Meu desejo é que Deus me conceda a graça de investir minha vida na vida de outras pessoas, permitindo que o caráter de Cristo seja cada vez mais evidente em mim e, através de mim, alcance muitos outros.

Que cada pessoa que caminhe ao meu lado possa enxergar menos de Alex e mais de Jesus.

E que aqueles que forem discipulados também se tornem discipuladores, para que a corrente da graça nunca seja interrompida, até que toda a Terra seja alcançada pelo evangelho de Cristo.

“O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele que for bem instruído será como o seu mestre.” (Lucas 6.40)

Que Cristo seja formado em nós, para que possa ser visto através de nós.

Alex Barreto Cosmo

Escrito em março de 2002 – no T.A.L. Da IDV

A Influência Destrutiva do Espírito de Jezabel na Sociedade Atual: Uma Reflexão Bíblica e Contemporânea

“Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos. Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição.”

Apocalipse 2:20-21

Em nossos dias, é crucial reconhecer e combater as manifestações modernas do espírito de Jezabel, uma figura bíblica emblemática que representa a manipulação e a corrupção moral. A história de Acabe e Jezabel, descrita em 1 Reis 16-21, ilustra o perigo da passividade masculina diante de uma influência feminina perversa e manipuladora, que se desdobra em muitas facetas da sociedade contemporânea.

Acabe, rei de Israel, exemplifica a passividade masculina, ao permitir que Jezabel, sua esposa, exercesse uma influência degenerativa sobre ele e sobre o reino. Jezabel manipulava as circunstâncias e pessoas para atingir seus próprios fins, introduzindo a adoração a Baal e Aserá, desafiando assim os preceitos divinos e a liderança espiritual estabelecida.

Este espírito de Jezabel transcende a narrativa bíblica e pode ser observado na forma como certos valores são corrompidos na sociedade atual. A sedução não se manifesta apenas no sentido estrito da palavra, mas através de influências culturais que desviam as pessoas de seus valores éticos e morais. A degeneração pode ser vista em campanhas de marketing que promovem a indulgência desenfreada, o uso do corpo com sensualidade e o materialismo, em detrimento dos princípios de modéstia e integridade.

A passividade masculina, por sua vez, é evidente quando homens falham em assumir responsabilidades, seja na liderança familiar, espiritual ou comunitária. Esta falta de ação propicia um terreno fértil para que o caos e a imoralidade floresçam, assim como no reinado de Acabe.

Como cristãos, é imperativo que reconheçamos e confrontemos essas manifestações do espírito de Jezabel. A Igreja é chamada a ser um farol de esperança e a coluna e firmeza da verdade, resistindo ativamente às forças que buscam corromper e destruir os fundamentos da fé e da moral. Em Efésios 5:11, somos instruídos a “não participar das obras infrutíferas das trevas, mas, antes, condená-las”.

Em nossa comunidade e sociedade, devemos promover uma liderança ativa e consciente, que não somente reconheça essas influências, mas também as combata eficazmente. É essencial encorajar os homens a se levantarem como líderes íntegros e as mulheres a exercerem sua influência de maneira positiva e construtiva, alinhada com os preceitos cristãos.

Não pretendo cair num reducionismo de afirmar que esse espírito esteja agindo apenas nas mulheres e que os homens são vítimas. Na verdade o espírito de Jezabel representa uma doutrina que tem sido absorvida tanto por homens quanto mulheres que influenciam e seduzem os irmãos para que a igreja se prostitua. Cristo não é Acabe e a igreja não pode ser Jezabel.

Portanto, o desafio que se apresenta à Igreja moderna é duplo: primeiramente, deve-se educar e preparar os crentes para identificar e resistir à sedução degenerativa e à passividade, características do espírito de Jezabel. Em segundo lugar, é necessário cultivar um ambiente onde a verdadeira liderança espiritual possa prosperar, marcada por um compromisso inabalável com a justiça, a verdade e a santidade, conforme ensinado nas Sagradas Escrituras.

A presença de Deus muda tudo

A presença de Deus muda tudo!

É muito louco como a presença de Deus pode transformar seu completamente seu humor e atitude em um instante.

Uma música de adoração
Um sussurro em oração
Podem te mover do mais absoluto caos
para um lugar de paz e alegria inexplicáveis.

Não existe nada como a presença de Deus.

Deus #encorajamento #paz

Se te edificou, compartilhe. Siga-me para mais conteúdos como esse.

O que alimenta é a Palavra

Texto base: Ez 2.8-10 e 3.1-3

Introdução:

Assim como Deus instruiu Ezequiel a comer o pergaminho, Ele também nos chama a internalizar Sua Palavra e torná-la parte de quem somos. Isso envolve não apenas ler e estudar a Bíblia, mas também meditar nela e permitir que seus ensinamentos nos transformem de dentro para fora.

Jesus disse: “…nem só de pão o homem viverá mas de toda palavra que sai da boca de Deus.” (Mt 4.4). O texto do Salmo 1 em seus primeiros versos diz que aquele que tem o prazer na palavra de Deus e medita nela dia e noite, será como árvore plantada junto a ribeiros de águas (bem nutrida) que dá seu fruto na estação própria (saudável e frutífera) e cujas folhas não caem (resistência e firmeza). A Bíblia é um texto sagrado que fornece orientação, inspiração e nutrição espiritual para os cristãos. Em João 6:35, Jesus declara: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.” Esta declaração enfatiza a importância da palavra de Deus como alimento espiritual para os crentes. Neste estudo bíblico, exploraremos o conceito da palavra de Deus como alimento espiritual e como ela pode nutrir nossas almas.

A Palavra de Deus nos sustenta

Em Deuteronômio 8:3, Moisés lembra aos israelitas que “nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca do Senhor”. Esta passagem enfatiza que a palavra de Deus nos sustenta, assim como o alimento físico sustenta nossos corpos. Quando consumimos a palavra de Deus, ficamos cheios de nutrição espiritual que nos sustenta em tempos difíceis.

A Palavra de Deus nos nutre

Em 1 Pedro 2:2, Pedro escreve: “Como crianças recém-nascidas, desejem de coração o leite espiritual puro, para que por meio dele cresçam para a salvação”. Esta passagem enfatiza a importância de consumir a palavra de Deus regularmente para nutrir nossas almas e nos ajudar a crescer em nossa fé. Assim como um bebê precisa de leite para crescer e se desenvolver, nós precisamos da palavra de Deus para amadurecer em nossa jornada espiritual.

A Palavra de Deus nos Purifica

Em Efésios 5:26, Paulo escreve que Cristo “purificou [a igreja] pela lavagem com água pela palavra”. Esta passagem destaca como a palavra de Deus pode nos purificar do pecado e da impureza. Quando consumimos a palavra de Deus, ela expõe áreas de nossas vidas que precisam ser purificadas e santificadas, levando ao crescimento e transformação espiritual.

A Palavra de Deus Fornece Direção

No Salmo 119:105, o salmista declara: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho.” Esta passagem destaca como a palavra de Deus fornece direção e orientação para nossas vidas. Quando consumimos a palavra de Deus, ela ilumina nosso caminho e nos ajuda a tomar decisões sábias que se alinham com a vontade de Deus.

“Nosso cristianismo é particularmente superficial porque a imagem que fazemos de Cristo é superficial. No entanto, os segredos da maturidade cristã estão prontos para serem descobertos na Escritura por todos aqueles que os buscam. Há uma amplitude na Palavra de Deus que poucos de nós conseguem depreender, uma profundidade que raramente sondamos”.

John Stott

A parábola do semeador (aplicação)

Certamente! A parábola do semeador, encontrada em Mateus 13:1-23, Marcos 4:1-20 e Lucas 8:4-15, é um grande paralelo com a ideia da palavra de Deus como alimento espiritual.

Nesta parábola, um semeador sai para semear. Algumas das sementes caem no caminho e são comidas pelos pássaros, algumas caem em solo rochoso e murcham, algumas caem entre espinhos e são sufocadas, mas algumas caem em solo bom e produzem uma colheita abundante.

As sementes na parábola podem representar a palavra de Deus. Assim como as sementes precisam ser plantadas em boa terra para crescer e produzir uma colheita, a palavra de Deus precisa ser recebida e posta em prática para nutrir nossas almas e produzir crescimento espiritual.

As sementes que caem no caminho e são comidas pelos pássaros representam aqueles que ouvem a palavra de Deus, mas não a compreendem nem permitem que crie raízes em seus corações. As sementes que caem em solo pedregoso representam aqueles que recebem a palavra com alegria, mas não têm raízes profundas, então murcham quando chegam as provações. As sementes que caem entre os espinhos representam aqueles que permitem que os cuidados deste mundo sufoquem a palavra de Deus em suas vidas.

Mas as sementes que caem em boa terra representam aqueles que ouvem a palavra de Deus, a compreendem e permitem que crie raízes em seus corações. Eles produzem uma abundante colheita de frutos espirituais em suas vidas.

Ao consumirmos a palavra de Deus como alimento espiritual, precisamos ter certeza de que a estamos recebendo em boa terra, permitindo que crie raízes e produza crescimento espiritual em nossas vidas. Precisamos nos proteger contra os pássaros da dúvida e da incredulidade, as pedras das provações e tribulações e os espinhos dos cuidados mundanos e das distrações que podem sufocar a palavra de Deus em nossos corações. Em vez disso, devemos nos esforçar para ser como a boa terra, recebendo a palavra de Deus com entendimento e permitindo que ela produza uma colheita abundante de frutos espirituais em nossas vidas.

O problema do alimento ruim

Há uma comparação entre falsa pregação e ensino e junk food espiritual. Assim como junk food pode ser prejudicial à nossa saúde física, falsas pregações e ensinos podem ser prejudiciais à nossa saúde espiritual.

Alimento espiritual ruim pode ser qualquer coisa que não seja espiritualmente benéfica ou nutritiva, como ensinamentos baseados na sabedoria humana ou em falsas doutrinas, ou mensagens focadas no sucesso ou na prosperidade mundana, em vez de na verdade bíblica e na vida piedosa. Assim como junk food pode nos encher de calorias vazias e nos deixar insatisfeitos, junk food espiritual pode nos deixar vazios e insatisfeitos em nossas vidas espirituais.

A pregação e o ensino falsos podem ser ainda mais perigosos do que a comida espiritual lixo, pois podem nos desviar da verdade e nos levar ao erro. Falsos mestres podem distorcer a mensagem da Bíblia, promover falsas doutrinas ou levar as pessoas ao pecado e à rebelião contra Deus. Assim como comer alimentos contaminados ou venenosos pode nos deixar fisicamente doentes, pregações e ensinos falsos podem nos deixar espiritualmente doentes e até nos desviar da fé.

Para evitar o junk food espiritual e falsa pregação e ensino, devemos ter discernimento no que ouvimos e estudamos. Devemos testar tudo o que ouvimos contra a verdade da palavra de Deus e buscar a orientação do Espírito Santo para discernir o que é verdadeiro e certo. Devemos também estar comprometidos em crescer em nossa própria compreensão da Bíblia e em nosso relacionamento com Deus, para que possamos discernir a verdade do erro e evitar qualquer coisa que possa prejudicar nossa saúde espiritual.

A leitura comum da palavra de forma regular e simples é noque mais precisamos para estar nutridos. No Aprisco estimulamos a leitura anual de toda a Bíblia.

Comida caseira – A importância da igreja local e dos seus pastores e líderes

Fazer parte de uma congregação local é importante para nossa saúde e crescimento espiritual, pois nos dá oportunidades de receber alimento espiritual saudável e construir relacionamentos com outros crentes.

Em primeiro lugar, uma congregação local nos fornece exposição regular à Bíblia e seus ensinamentos por meio de sermões, estudos bíblicos e outros ensinamentos. Essa exposição nos ajuda a aprofundar nossa compreensão da palavra de Deus e aplicá-la em nossas vidas. Também nos oferece oportunidades para fazer perguntas, buscar esclarecimentos e receber orientação de líderes e mentores confiáveis.

Além da exposição à Bíblia, fazer parte de uma congregação local também nos dá a oportunidade de construir relacionamentos com outros crentes. Não devemos viver nossa fé sozinhos, e fazer parte de uma comunidade de crentes nos ajuda a permanecer responsáveis, encorajar uns aos outros e crescer juntos em nossa fé. Podemos aprender com as experiências uns dos outros, compartilhar nossas lutas e triunfos e apoiar uns aos outros em oração e de maneira prática.

Fazer parte de uma congregação local também nos dá oportunidades de servir aos outros e usar nossos dons espirituais para beneficiar o corpo de Cristo. Este serviço nos ajuda a crescer em humildade, amor e generosidade, e nos permite experimentar a alegria de ver Deus nos usar para abençoar os outros.

Fazer parte de uma congregação local é essencial para nossa saúde e crescimento espiritual. Ele nos fornece alimento espiritual saudável, oportunidades para construir relacionamentos com outros crentes e oportunidades para servir aos outros e crescer em nossa fé. Se você não faz parte de uma congregação local, eu o encorajo a procurar uma em espírito de oração e se envolver na vida da comunidade.

Obs.: Outras instruções bíblicas exigem a nossa participação nas reuniões da igreja: para participar da Ceia do Senhor (1 Coríntios 11:17-34; cf. Atos 20:7), para juntar ofertas (1 Coríntios 16:1-3; Atos 4:36- 37; 5:1-2) e para resolver questões de pecado na congregação (1 Coríntios 5:4-5). Discípulos de Cristo se juntam, também, para cantar hinos de louvor e edificação (Efésios 5:19-21) e como tratamos nesses estudo, para ensinar a palavra do Senhor (1 Coríntios 14:26).

Pessoas que negligenciam estas responsabilidades, não participam dos cultos da congregação, desobedecem a Deus. Pecam contra os irmãos e contra o Senhor.

Seja fiel na sua participação em uma congregação local. E não deixe de examinar tudo para verificar se a igreja onde você congrega está realmente agradando a Deus em doutrina e prática (1 Tessalonicenses 5:21-22).

Preparo do alimento

Embora seja verdade que existem muitas fontes de alimento espiritual disponíveis, incluindo livros, podcasts e sermões online, existem várias razões pelas quais um alimento espiritual preparado por seu pastor local costuma ser o melhor que você pode encontrar.

Em primeiro lugar, seu pastor local é alguém que foi chamado por Deus para pastorear e cuidar da congregação local. Eles têm uma compreensão única das necessidades espirituais da comunidade e são capazes de adaptar seu ensino e pregação para atender a essas necessidades. Eles também são capazes de fornecer cuidado pastoral e apoio aos membros da congregação, ajudando-os a aplicar os ensinamentos da Bíblia em suas vidas diárias e fornecendo orientação e conselho quando necessário.

Em segundo lugar, seu pastor local é alguém que foi treinado e equipado para a tarefa de ensinar e pregar . Eles provavelmente receberam, ou educação teológica formal e foram ordenados ou foram autorizados pela liderança da igreja a ensinar conforme o direcionamento teológico-doutrinário de igreja. Esse treinamento e preparação os ajuda a entender a Bíblia em seu contexto original e a comunicar suas verdades de maneira clara e eficaz sem perder a conexão com a linguagem e identidade ministerial.

Em terceiro lugar, seu pastor local é alguém que presta contas à congregação local e sua liderança. Essa responsabilidade ajuda a garantir que o ensino e a pregação sejam fundamentados na verdade bíblica e alinhados com as crenças doutrinárias da igreja. Também ajuda a proteger contra falsos ensinos e garante que o alimento espiritual fornecido seja saudável e nutritivo.

Finalmente, fazer parte de uma congregação local e receber alimento espiritual preparado por seu pastor local permite um senso mais profundo de comunidade e conexão com outros crentes. Ele oferece oportunidades para discussão, perguntas e encorajamento mútuo que podem ser difíceis de reproduzir por meio de outras fontes de alimento espiritual.

Em resumo, embora existam muitas fontes de alimento espiritual disponíveis, um alimento espiritual preparado por seu pastor local geralmente é o melhor que você pode encontrar. Seu pastor local tem uma compreensão única das necessidades espirituais da comunidade, foi treinado e equipado para a tarefa de ensinar e pregar, presta contas à congregação local e oferece oportunidades para uma comunidade mais profunda e conexão com outros crentes.

Obesidade Espiritual

Há uma comparação a ser feita entre obesidade espiritual e obesidade física quando se trata de ouvir a Palavra de Deus, mas deixar de praticá-la. Da mesma forma que alguém pode consumir quantidades excessivas de alimentos não saudáveis e tornar-se fisicamente obeso, uma pessoa pode consumir quantidades excessivas de alimentos espirituais sem praticar os ensinamentos da Bíblia e tornar-se espiritualmente obesa. Além disso,

A obesidade espiritual ocorre quando uma pessoa ouve regularmente a Palavra de Deus, mas não aplica seus ensinamentos à sua vida. Eles podem frequentar a igreja regularmente, ler a Bíblia e ouvir sermões, mas falham em colocar em prática o que aprenderam. Isso pode levar a um sentimento de complacência e falta de crescimento em sua fé. Assim como uma pessoa fisicamente obesa pode lutar com problemas de saúde e uma diminuição da qualidade de vida, uma pessoa espiritualmente obesa pode lutar com sentimentos de vazio espiritual e falta de propósito.

Em contraste, a prática da Palavra de Deus pode ser comparada ao exercício físico. Assim como o exercício é essencial para manter a saúde física e o bem-estar, praticar os ensinamentos da Bíblia é essencial para manter a saúde e o bem-estar espiritual. Isso envolve agir de acordo com o que aprendemos, como mostrar amor e compaixão aos outros, perdoar aqueles que nos ofenderam e viver uma vida de integridade e obediência aos mandamentos de Deus.

A Bíblia ensina que a fé sem ação é morta (Tiago 2:17), e que somos chamados não apenas para ouvir a Palavra de Deus, mas também para colocá-la em prática (Tiago 1:22-25). Ao fazer isso, podemos experimentar a plenitude da vida abundante que Jesus prometeu (João 10:10) e crescer em nosso relacionamento com Deus.

Em conclusão, assim como a obesidade física pode ser prejudicial à nossa saúde e bem-estar, a obesidade espiritual pode ser prejudicial à nossa saúde e bem-estar espiritual. É essencial que não apenas ouçamos a Palavra de Deus, mas também a coloquemos em prática no nosso dia a dia. Ao fazer isso, podemos crescer em nossa fé, experimentar a plenitude da vida que Deus planejou para nós e causar um impacto positivo no mundo ao nosso redor.

Conclusão:

Ao longo deste estudo bíblico, exploramos o conceito da Palavra de Deus como alimento espiritual, a importância de fazer parte de uma congregação local e os perigos da obesidade espiritual quando deixamos de colocar em prática o que aprendemos. Também discutimos os benefícios de ouvir os ensinamentos de nosso pastor local, pois eles são chamados por Deus para pastorear e cuidar da congregação local.

Como cristãos, é importante não apenas ouvir a Palavra de Deus, mas também colocá-la em prática em nossa vida diária. Isso envolve agir de acordo com o que aprendemos e viver os ensinamentos da Bíblia. Ao fazer isso, podemos crescer em nossa fé e experimentar a plenitude da vida abundante que Jesus prometeu.

Fazer parte de uma congregação local é essencial para receber alimento espiritual saudável e construir relacionamentos com outros crentes. Nosso pastor local desempenha um papel importante em nosso crescimento espiritual, pois eles são equipados e treinados para ensinar e pregar a Palavra de Deus. Ao receber o alimento espiritual preparado por nosso pastor local, podemos aprofundar nossa compreensão da Palavra de Deus, aplicá-la em nossas vidas e construir relacionamentos com outras pessoas que compartilham nossa fé.

No entanto, também devemos ter discernimento no que ouvimos e estudamos. Assim como há comida física saudável e não saudável, também há comida espiritual saudável e não saudável. Devemos testar tudo o que ouvimos contra a verdade da Palavra de Deus e buscar a orientação do Espírito Santo para discernir o que é verdadeiro e certo.

Concluindo, enquanto buscamos crescer em nossa fé, é importante fazer parte de uma congregação local, receber alimento espiritual saudável e colocar em prática o que aprendemos. Ao fazer isso, podemos experimentar a plenitude da vida que Deus planejou para nós e causar um impacto positivo no mundo ao nosso redor.

Assista uma mensagem que foi pregada com base nesse estudo clicando aqui. (Começa aos 25min.)

A parábola da palavra como semente

Esse é um campo judaico para plantação de uvas. Jesus, ao usar de parábolas para que se fizesse entendido, falava de pastores e suas ovelhas, falava de semeadores e suas plantações. Eram elementos fáceis de serem compreendidos, entendidos – quando era esse o desejo. Essa imagem te ajudará a se inserir naquela meio que Jesus tentava alcançar. O desejo de Jesus continua o mesmo, lançar a Palavra e alcançar os desejoso de uma vida em abundância.

Observe esse campo e perceba, que embora pequeno, Ele possui os elementos que Jesus falou. A palavra era e é, realmente acessível a todos. Aí está a terra fértil, onde a semente levou ao fruto. Há o terreno raso, pedregoso, onde a semente não formará raízes. Há, também as pedras, junto e presente nos murinhos.

Que a Palavra encontre terra boa em sua vida hoje, que o Espírito Santo leve essa compreensão a tua vida e que ela seja abundante. Que essa Palavra germine em seu coração e que o Senhor possa cultivá-la e te fazer grande.

Medite nesse texto da Bíblia que posto abaixo.
Lucas 8:8-14
E nquanto viajavam de cidade em cidade, muita gente se unia ao grupo e passava a acompanhá- los. A eles Jesus contou esta história:“Um lavrador saiu para semear. Algumas sementes caíram no caminho. Foram pisadas, e os passarinhos as comeram. Outras caíram sobre pedras e brotaram, mas secaram porque não tinham raiz. Outras caíram no meio das ervas daninhas, que cresceram e as sufocaram. Outras, por fim, caíram em terra boa e produziram uma grande colheita.
“Vocês estão ouvindo com atenção?”.
Os discípulos perguntaram:“Qual é o sentido dessa história?”
Ele disse:“Vocês já ouviram bastante a respeito do Reino de Deus. Conhecem as suas verdades. Mas há quem precise ouvir essas histórias, mesmo que nem sempre as entendam:
Os olhos deles estão abertos, mas não veem nada,
Os ouvidos deles estão abertos, mas não ouvem nada.

“Essa história retrata a vida de muitos deles. A semente é a Palavra de Deus. As sementes no caminho são aqueles que ouvem a Palavra, mas o Diabo a arranca do coração deles, para que não acreditem que serão salvos.
As sementes que caíram nos pedregulhos são os que ouvem com entusiasmo passageiro. Diante da primeira dificuldade, perdem o interesse.
As sementes que caíram entre as ervas daninhas são os que ouvem a Palavra, mas a preocupação constante com o amanhã e a ilusão de viver para ganhar dinheiro e divertir- se a sufocam. As sementes não produzem nada.

Que Deus te abençoe.

Pr. Alex Cosmo
EBD do Aprisco // 03 de novembro de 2013.

Resumo feito por Gerson Jr

O que se pode aprender no livro bíblico de Levítico?

Entrada do Tabernáculo e o Altar dos Sacrifícios

O livro de Levítico é uma parte importante do Antigo Testamento que descreve as leis e regulamentos que Deus deu aos israelitas. Embora muitas dessas leis possam parecer desatualizadas ou irrelevantes para nossas vidas modernas, há várias lições importantes que podemos aprender com o livro de Levítico:

Santidade: O livro de Levítico enfatiza a santidade de Deus e a importância de viver uma vida santa. Os israelitas foram instruídos a seguir leis e regulamentos estritos que os ajudariam a manter um estado de pureza ritual e evitar a contaminação e manter uma distinção clara dos demais povos da terra.

Sacrifício: Levítico também enfatiza a importância do sacrifício na adoração a Deus. Os israelitas foram instruídos a oferecer vários tipos de sacrifícios, incluindo holocaustos, ofertas de cereal e ofertas pelo pecado, como forma de expiar seus pecados e buscar perdão.

Expiação: O conceito de expiação é central no livro de Levítico. Os israelitas foram instruídos a buscar a expiação de seus pecados por meio da oferta de sacrifícios, o que ajudaria a restaurar seu relacionamento com Deus e manter seu estado de pureza ritual. Essa expiação é uma sombra do sacrifício de Cristo na cruz que cumpriria completamente as exigências da justiça do Pai e eliminaria a necessidade de novos sacrifícios de animais.

Obediência: O livro de Levítico enfatiza a importância da obediência aos mandamentos de Deus. Esperava-se que os israelitas seguissem as leis e regulamentos que Deus lhes dera, mesmo que não entendessem as razões por trás delas.
O caráter de Deus: Levítico nos dá um vislumbre do caráter de Deus, incluindo sua justiça, sua misericórdia e seu amor por seu povo. Por meio das leis e regulamentos que deu aos israelitas, Deus revelou seu desejo de que eles vivessem de uma maneira que honrasse e refletisse sua santidade.

No geral, o livro de Levítico pode nos ensinar lições importantes sobre santidade, sacrifício, expiação, obediência e o caráter de Deus. Como cristãos, embora não devamos seguir as mesmas leis e regulamentos rituais que os israelitas, essas lições ainda são relevantes para nossas vidas hoje e podem nos ajudar a crescer em nossa fé e relacionamento com Deus.

E sobre aqueles tipos de ofertas?

No livro de Levítico, existem cinco tipos diferentes de ofertas que os israelitas foram ordenados a fazer a Deus. Cada tipo de oferenda tinha um propósito e significado específico:

Oferta Queimada (Levítico 1) – Este tipo de oferta era um ato voluntário de adoração em que um animal, como um touro, ovelha ou cabra, era completamente queimado no altar como um aroma agradável a Deus. O holocausto simbolizava entrega total a Deus e dedicação ao seu serviço.

Oferta de grãos ou manjares (Levítico 2) – Este tipo de oferta também era um ato voluntário de adoração em que grãos, como farinha, óleo e incenso, eram oferecidos a Deus. A oferta de cereal simbolizava gratidão pela provisão e fidelidade de Deus.

Oferta pacífica (Levítico 3) – Este tipo de oferta era um ato voluntário de adoração em que um animal, como um touro, ovelha ou cabra, era sacrificado como forma de fazer as pazes com Deus. A oferta pacífica simbolizava reconciliação e comunhão com Deus e uns com os outros.

Oferta pelo pecado (Levítico 4) – Este tipo de oferta era uma oferta obrigatória feita quando um indivíduo ou toda a comunidade pecava involuntariamente. A oferta pelo pecado era feita para expiar o pecado e restaurar o indivíduo ou a comunidade a um estado de pureza ritual.

Oferta pela culpa (Levítico 5-6) – Este tipo de oferta era uma oferta obrigatória feita quando um indivíduo pecava contra Deus ou outra pessoa e precisava fazer restituição. A oferta pela culpa foi feita para expiar o pecado e reparar o mal que havia sido feito.

Cada tipo de oferta tinha procedimentos e requisitos específicos, como o tipo de animal que poderia ser oferecido, a maneira como seria oferecido e as porções da oferta que poderiam ser comidas pelos sacerdotes ou pelo ofertante. Essas ofertas foram projetadas para ajudar os israelitas a entender a seriedade do pecado, a importância da adoração e a necessidade de um relacionamento correto com Deus. Por meio das ofertas, os israelitas eram lembrados da santidade de Deus, de sua graça e de seu desejo de que vivessem de uma maneira que o honrasse e agradasse.

Tudo isso aponta pra Cristo

As ofertas no livro de Levítico apontavam para o sacrifício final de Jesus Cristo na cruz, que seria o sacrifício perfeito e completo para o perdão dos pecados. Através das ofertas, os israelitas aprenderam sobre o perdão dos pecados, a importância da obediência e a santidade de Deus. Essas ofertas também apontavam para a obra de Cristo como nosso sacrifício expiatório final, conforme descrito em Hebreus 10:1-18.

Por exemplo, a oferta pelo pecado, que era feita para expiar um pecado específico, apontava para o sacrifício de Jesus na cruz, que expiou todos os nossos pecados de uma vez por todas. A oferta pelo pecado era um lembrete constante de que precisávamos de um sacrifício para pagar pela nossa culpa e que somente Deus poderia fornecer esse sacrifício.

Da mesma forma, a oferta de paz, que simbolizava a reconciliação com Deus e com outras pessoas, apontava para a obra de Cristo em reconciliar a humanidade com Deus através da sua morte e ressurreição. A oferta de paz era um lembrete de que precisávamos de paz com Deus e que só podíamos alcançá-la por meio de Jesus Cristo.

A oferta de manjares simbolizava a gratidão e a adoração ao Senhor por sua provisão de alimentos e sustento. Ela também representava a oferta de nossos frutos do trabalho para o serviço do Senhor. A oferta de manjares era uma expressão de devoção e compromisso com Deus, assim como as outras ofertas descritas em Levítico.

Em termos de sua relação com a obra de Cristo, a oferta de manjares pode ser vista como uma sombra do que estava por vir. Assim como a oferta de manjares foi apresentada a Deus como um sinal de gratidão e compromisso, nós também podemos oferecer a Deus nossas vidas e nosso trabalho como um sinal de nossa devoção e compromisso com Ele. Além disso, assim como os grãos foram moídos em farinha antes de serem oferecidos, Jesus foi “moído” e sacrificado por nós na cruz. Sua morte e ressurreição nos proporcionam o alimento espiritual de que precisamos para viver em comunhão com Deus.

Assim, todas as ofertas no livro de Levítico apontavam para a obra de Cristo e foram uma sombra do que estava por vir. Jesus cumpriu todas as exigências da lei mosaica e ofereceu a si mesmo como o sacrifício perfeito e completo pelos nossos pecados. Como resultado, não precisamos mais oferecer sacrifícios de animais, pois a obra de Cristo é suficiente para o nosso perdão e salvação

Sofrer “de cara” . Beber o cálice de sofrimento

“J’ai soif.” Le vinaigre donné à Jésus – J. J. Tissot

“deram-lhe a beber vinho com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber.”

Mateus 27:34 – ARA

Todos os evangelhos (Mc 15.36, Lc 23.36 e Jo 19.29) registram essa oferta dos soldados do vinho com fel ou seja , precisamos dar atenção a isso. Somente o verso de Mateus em comparação aos demais registra que Jesus recusou-se a beber .

Devemos nós também seguir Jesus no sentido de não somente aprender o que ele fala mas cada um dos seus gestos diante de suas realidades. Sempre haverá ofertas de “entorpecentes” quando estamos passando pelos nossos momentos de lutas, aflições e provações. Sempre haverá um pão sugerido pelo diabo para saciar nossa fome (Mt 4.2-4). Sempre haverá pessoas que amamos porém que sem vigiar vão sugerir saídas contrárias ao desígnio de Deus para nós (Jó 2.8-10) .

A dor e o sofrimento quando percebidos partindo da vontade e permissão de Deus nos fará receber como dádiva divina até os momentos mais duros da vida. Jesus estava muito consciente disso (Jo 18.11) e quer que nós que o seguimos estejamos também (Mt 10.24-39). Em meio às nossas dores o próprio Pai nos dará o auxílio que precisamos em tempo oportuno. O Espírito Santo nos capacita a viver o caminho em Cristo proposto pelo Pai. Podemos questionar as medidas das dores que passamos mas, nosso coração só encontrará descanso na certeza do amor do Pai e em como Ele, quando não nos priva de passar por algo doloroso, cuida cuida de nós em meio a dor (1 Co 10.13, Rm 8.28) . (Ouça o louvor abaixo)

Vai valer a pena – Livres para Adorar

Jesus já estava bebendo o cálice do sofrimento oferecido pelo Pai ou seja, sua cruz. A oferta do vinho misturado com o fel era um entorpecente que iria anestesiar-lhe do sofrimento naquele momento mas como vemos, Ele rejeitou. Veja que não estou falando aqui de rejeitar medicações para tratamentos de doenças crônicas numa expressão de fanatismo religioso.

Não podemos ignorar que há um sistema maligno em operação no mundo. Esse sistema mundano trabalha para nos entorpecer e provocar devassidão. Seja o consumo desenfreado, as baladas, a sede pela riqueza e até o mercado religioso, nesse sistema, nada que afronte meu prazer individual, que contrarie minhas vontades e meu jeito particular de viver é bem-vindo. Tudo é classificado como tóxico e precisa ser evitado ou cancelado. SHá uma busca frenética por bem-estar contínuo como uma droga que te deixa “high” mas vai gerando dependência e uma resistência psicológica que exige doses cada vez mais altas e no fim deságuam no mesmo buraco existencial é um rastro de sofrimento e morte (veja esse vídeo).

É preciso discernir entre a ajuda que o Pai envia, como por exemplo o Simão Cireneu que forçadamente ajudou Jesus a carregar a cruz por um trecho e as “pseudo-ajudas” e auto-ajudas que nos são dispostas para alívio. Será que todas elas vem de Deus? Claro que não! Jesus mostra isso.

“Desde aquele momento Jesus começou a explicar aos seus discípulos que era necessário que ele fosse para Jerusalém e sofresse muitas coisas nas mãos dos líderes religiosos, dos chefes dos sacerdotes e dos mestres da lei, e fosse morto e ressuscitasse no terceiro dia. Então Pedro, chamando-o à parte, começou a repreendê-lo, dizendo: “Nunca, Senhor! Tem compaixão de ti, Senhor. Isso nunca te acontecerá!” Jesus virou-se e disse a Pedro: “Para trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, e não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens”. Então Jesus disse aos seus discípulos: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?”
‭‭

Mateus‬ ‭16‬:‭21‬-‭26‬ ‭NVI‬‬
https://bible.com/bible/129/mat.16.21-26.NVI

Sejamos cuidadosos para discernir e não tomar o vinho com fel oferecido pelos que estão com “pena de nós” pelo sofrimentos terrenos que passamos, ou até mesmo dos atalhos e caminhos alternativos que buscamos em busca de “felicidade”. Saibamos beber o cálice na medida que o Pai nos dá , com vistas de nos alinhar ele aperfeiçoar para a eternidade e nisso encontraremos a real felicidade hoje.

Sempre teremos diante de nós a decisão de em qual medida devemos suportar ou não as dores da vida. Essas dores se revelam nas perdas, traições , frustrações e até inconveniências e incômodos que se apresentam nas relações com o cônjuge, amigos, colegas de trabalho, parentes e irmãos de igreja. Podemos ir pelo caminho de preferir o que for mais fácil, o que der prazer , o que evite renúncias , dores e constrangimentos mas será que estaremos vivendo a verdadeira vida. Podemos decidir seguir a Cristo e nEle viver o caminho que é da vontade do Pai.

Veja também a mensagem que preguei no Aprisco sobre esse tema, clicando aqui. (Adiante para 31 min.)

Deixe aí um comentário, se te edificou ou não.

Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum.

Cada ano fazemos uma leitura da Bíblia inteira em grupo, com a coordenação do Aprisco. Tem sido uma experiência maravilhosa que traz novas oportunidades pelos olhares e questionamentos ou interpretações dos texto lidos por cada um dos irmãos.

Na leitura de hoje passamos pelo texto:

[Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum.]

Mateus 17:21

Sobre esse texto a irmã S.C. escreveu:

“Sempre que eu lia essa passagem bíblica, lia entendendo que Jesus se referia ao demônio que estava no menino, até um dia ver o Pastor Luciano Subirá fazer uma reflexão de que Jesus estava se referindo aos discípulos dele naquele momento, pela falta de fé na caminhada com ele ( vou tentar achar o vídeo). Queria saber se alguém concorda, ou não… queria entender melhor.” S.C.

Falando do texto, ele se encontra entre colchetes, o que é uma referência de que esse versículo não está explicitamente ou integralmente escrito em todos os manuscritos, mas implícito ou acrescido trazendo outras fontes como de outro evangelho para dar melhor sentido ao mesmo relato. Vamos em frente, pois deixarei umas considerações no final desse texto.

O trecho do vídeo é esse , indo até uns 14min20s

Falando do vídeo, percebi uma certa surpresa de Luciano quando Abe fala que no texto não teria o nome “demônios”. O que é verdade porém, a omissão do nome não retiraria o objeto que foi estabelecido na pergunta dos discípulos do porquê não teriam conseguido expulsar aquele demônio.

Ainda no vídeo, Abe citou Andrew Wommack e Kenneth Hagin que são autores carismáticos e líderes de movimentos de fé e cura. Vale a pena lê-los porém com discernimento pois há certas posições que colocam a vontade e necessidade humanas no centro e deixam de lado temas como a soberania de Deus, a restauração de tudo no mundo vindouro etc.

Quando lemos a Bíblia precisamos fazer um exercício de esvaziamento de nossas preconfiguracões e preferências (pré-inferências) . Deixar o texto bíblico falar o que ele fala e a Bíblia explicar-se por si só. Digo isso porque a depender de nossa escola teológica, filosófica, das experiências pessoais ou até orientações e costumes denominacionais podemos arrastar o texto para agregar a uma visão que já temos ou afastar da visão a qual somos mais resistentes.

É também atividade do exegeta bíblico (quem interpreta minuciosamente ou faz exegese), observar todo o contexto versículos, capítulos e até todo um livro, verificar os textos com relatos paralelos como no caso dos evangelhos. Nesse caso temos ainda os relatos em Marcos 9.14-29 e Lucas 9.37-43 .

Li em um comentário sobre essa pintura de Rafael Sanzio datada entre 1517-1520 muito interessante. Observe:

A Transfiguração – Rafael Sanzio

Essa pintura foi encomendada e baseada em Mateus 17.1-21 que retrata o momento glorioso da transfiguração diante de alguns discípulos. Ao mesmo tempo na mesma tela na parte mais inferior vemos o desespero da derrota dos discípulos no enfrentamento de um demônio na vida de um garoto epilético (outra treta). É o retrato claro de nossas vidas, dos altos e baixos e de como vivemos essa coexistência dos topos e vales.

Considerações

Creio que é sincera a afirmação daquele pai desesperado quando diz : “… eu creio, ajuda na minha incredulidade…” Mc 9.14-29. Deixa claro que o nome de Jesus tem todo o poder sempre, nós porém temos nossas variações de fé pela Graça do Pai, um mestre paciente. Somente a presença de Jesus o filho de Deus pode trazer real vitória às nossas vidas.

O texto de Mateus aponta mais diretamente para a incredulidade dos discípulos mas, podemos observar que o tema da incredulidade se amplia nos outros evangelhos. “… geração incrédula até quando vos suportarei…”, “…ajuda-me na minha incredulidade…” e “… por causa da pequenez da vossa fé…”.

Os discípulos já haviam recebido autoridade e expulsado outros demônios mas aquele especificamente ofereceu uma resistência, o que que acabou expondo uma fraqueza de fé (incredulidade) dos discípulos. Não digo uma total falta de fé mas uma fé deficiente para enfrentar tal circunstância. A fé tem gradações como vemos em Mateus 6.30, 8.26, 14.31, 16.8 e Romanos 14.1. Além disso o relato em Marcos traz um detalhe que é a presença dos escribas interrogando os discípulos de Jesus ampliando a vergonha deles naquela situação.

Da mesma forma, podemos afirmar que há gradações também nas operações malignas, espíritos imundos com resistências diferenciadas. Assim os que estão na frente de batalha precisam Jejuar e orar para: 1) desfrutar de maior consciência de sua relação com Deus; 2) convicção da vontade do pai e sujeição absoluta a ela; 3) ter uma vida consagrada e limpa para que sua consciência não seja afetada bem como o exercício da autoridade em nome de Jesus; 5) manter o foco, retirar as distrações e manter a resistência. A obra de libertação é obra de resistência.

Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.

Tiago 4.7

Podemos analisar tudo de um ponto de vista teológico, dissecando o texto como um sapo na mesa de um laboratório, mas não podemos esquecer que lemos o relato de uma experiência real vivida por pessoas reais com suas caminhadas pessoais e com Jesus, sentimentos e percepções diferentes sobre o que estava acontecendo.

Temos um pai que por anos sofria com o risco de vida do filho, passando por um grupo de discípulos ainda em início de caminhada e aprendizado, tomados de vergonha e medo por conta de um mal que não conseguiram repreender e um grupo de escribas que talvez estavam ali somente se satisfazendo com a falência dos seguidores do novo mestre que cativava os corações.

Jesus chega, interpela os escribas, ouve o pai dolorido e angustiado, repreende seus discípulos, liberta o menino e ensina seus discípulos o caminho de dependência e sujeição ao Pai para vencer as lutas que se apresentam: Jejum e oração.

Não precisamos de fato escolher se Jesus tratava da incredulidade ou dos demônios ou do jejum e oração. Tudo está conectado . Tal como um músculo e um preparo cardiorrespiratório só se revelam diante do peso ou atividade que os exija, assim a fé vai se revelando ante as adversidades que enfrentamos. Para treinar e obter músculos de fé e preparo cardiorrespiratório espiritual a dica do mestre e personal trainer Jesus é : jejum e oração. Como diria um amigo:

“Temos mil mortes a viver.”

Georges Bonneval

O Ruach de Deus

O Antigo Testamento ensina consistentemente a atuação distinta e criativa do Espírito de Deus sobre o cosmos e tudo o que nele existe, incluindo a humanidade. O Espírito de Deus [ruach] não apenas cria todas as coisas, mas também as sustenta (Gn 6:3). Central para essa compreensão do Espírito de Deus é o relato inicial da criação em Gênesis.

Compilado talvez durante as peregrinações de Israel no deserto, Gênesis 1 é claramente um relato polêmico, possivelmente contra o popular Hino de Aton (datado por volta de 1350 a.C.), dando assim ao povo uma base sólida contra as cosmovisões politeístas e pagãs que os cercavam. Assim, para Israel no deserto, Moisés enfatiza que o mesmo Deus que os tirou da escravidão pelo ruach divino (Êxodo 15:8–10) também fez singularmente os céus e a terra pelo ruach, e que o poder por trás do original a criação também está operando agora na criação do povo de Deus por meio da libertação.

O Espírito como Criador em Gênesis 1

Especificamente, em Gênesis 1:2 lemos a frase integral “e o ruach’elöhîm pairava sobre as águas”. Embora o significado desse versículo seja acaloradamente debatido e não possa ser tratado com profundidade real aqui, algumas observações resumidas podem ser permitidas.

Gênesis 1:2 contém três cláusulas nominais: “Ora, a terra era sem forma e vazia, as trevas cobriam a superfície do abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas”. As duas primeiras das três cláusulas introduzem a ordem caótica do cosmos, caracterizada pelo uso das palavras töhû wäḇöhû. A estrutura narrativa procederia então da seguinte maneira; em primeiro lugar, a falta de forma (töhû) é superada nos três primeiros dias e, em segundo lugar, o espaço vazio (wäḇöhû) é preenchido do quarto ao sexto dias.

Moisés enfatiza que o mesmo Deus que os livrou da escravidão pelo ruach divino (Êxodo 15:8–10) também fez singularmente os céus e a terra pelo ruach, e que o poder por trás da criação original também está operando agora em a criação do povo de Deus através da libertação.

O que dizer então da terceira cláusula? Deve continuar a descrever o estado caótico do cosmos ou pode introduzir a presença criativa e a atividade de Deus para trazer ordem ao caos. Parece melhor ver a cláusula separada das duas primeiras (devido principalmente ao uso de waw antes de ruach) e traduzir ruach como “espírito” e não “vento”.

O que está claramente declarado em Gênesis é que a presença de Deus está ativa no ruach e que o ruach’elöhîm está superintendendo a obra da criação e também, vinculado ao versículo 3, realizando a criação por meio da palavra W/. Como Hildebrandt afirma: “A passagem está enfatizando a presença real e poderosa de Deus, que traz a palavra falada à realidade pelo Espírito”. Nesse sentido, o Espírito de Deus não é apenas o “vento” de Deus soprando no cosmos, mas a presença pessoal, criativa e muito ativa de Deus aguardando o momento adequado para iniciar o processo de criação.

Espírito como Criador fora do Gênesis

Fora do Gênesis e do relato original da criação, vemos mais evidências da função criativa do Espírito. Em Isaías 40:13 lemos: “Quem entendeu a mente do Senhor [ruach yhwh], ou quem foi seu conselheiro, quem o instruiu? A quem ele consultou para sua orientação e quem lhe ensinou o caminho para alcançar a ordem e mostrou-lhe como exercitar a habilidade criativa?” Aqui, a extensão do envolvimento do Espírito na criação é aumentada para incluir não apenas o poder de criar, mas também a “mente”, o poder “criativo” de criar. A criação foi planejada pelo ruach yhwh, que então se moveu para trazer esse plano à existência.

Essa atividade criadora não parou com o cosmos, no entanto. Estende-se a toda a humanidade e a todos os grupos de pessoas, especialmente o povo escolhido de Deus (Sl 71:6; 89:48; 94:9; 100:3; 139:13; 149:2; Dt 32:6). A esfera das operações do Espírito é limitada apenas pela nossa falta de compreensão. Quando o uso de ruach é pesquisado, vê-se o papel vital do Espírito de Deus na concessão de vida à humanidade. Isso é resumido pelo relato da criação em Gênesis 1:26–27. Novamente, esses versículos ocasionam uma grande divergência de interpretação que não podemos resolver aqui. No entanto, examinaremos o envolvimento principal do Espírito de Deus neste relato da criação.

Assim como o ruach’elöhîm foi o criador ativo do cosmos, ele também é o criador ativo da humanidade. Com relação às referências plurais neste texto (cf., Gn 3:22; 11:7), podemos dizer que o trono de Deus no céu é cercado por uma multidão de seres angelicais, é transportado pelos querubins e é dirigido por o ruach (Ezequiel 1). Este conselho celestial superintende toda a atividade de Deus, mas Deus por seu ruach realiza a atividade real de criação e providência. Esta criação pelo plural divino, e especialmente realizada pelo Espírito de Deus, investe os seres humanos com a dignidade de serem à semelhança de Deus. Essa semelhança inclui o direito e a capacidade de governar, criar (por procriação) e raciocinar e desenvolver relacionamentos.

Outros textos além de Gênesis também apóiam o fato de que o Espírito de Deus, ruach, no Antigo Testamento recebeu a glória pela existência da vida. O Espírito de Deus era claramente a força vital animadora que inicia a vida (respiração) e a sustenta. Ter o ruach de Deus era ter vida, ter o ruach retirado era não mais possuir vida. Embora o tópico da criação ocorra com relativa pouca frequência em todo o Antigo Testamento, o ruach de Deus é claramente o próprio Deus em ação e, se sua atividade inclui a criação, a doutrina do Spiritus Creator, desenvolvida pela igreja primitiva, deve seguir; a menos que o Espírito seja separado do próprio Deus de uma forma que contraria diretamente o ensino do Antigo Testamento.

‘Ruach’, a respiração que se move através de tudo

Nos vários textos que indicam a obra do Espírito na criação, o Antigo Testamento apresenta a eficácia da atuação do Espírito. Tanto a criação quanto a preservação são o resultado direto do Espírito de Deus. Moltmann escreve:

Tudo o que é, existe e vive no influxo incessante das energias e potencialidades do Espírito cósmico. Isso significa que temos que entender cada realidade criada em termos de energia, apreendendo-a como a potencialidade realizada do Espírito divino, o próprio Criador está presente em sua criação. Ele não apenas o confronta em sua transcendência; entrando nele, ele também é imanente nele.

Por causa da atividade imanente de Deus como ruach, Deus não é apenas o Criador, mas o Espírito de Deus também é o sustentador de todas as coisas. Uma ênfase está presente no relato do Antigo Testamento de Deus como o agente imanente em todas as mudanças e movimentos do mundo, estabelecendo assim um firme fundamento de providência – Deus no mundo e na história, conduzindo todas as coisas ao seu objetivo destinado.

Especificamente, vemos a atividade providencial do Espírito nas seguintes áreas. . . O ruach foi ativo na criação do mundo (Gn 1:2; Sl 104:29; Jó 33:4), além de ser o agente de recreação após o dilúvio (Gn 8:1), o agente da criação de O povo de Israel de Deus (na forma de vento, Êxodo 14:19–20; 15:10), junto com o relato do Novo Testamento sobre a criação da Igreja (Atos 2:1–4).

Além dessa função criadora, o ruach também é visto como o agente de Deus pelo qual Deus exerce seu controle soberano sobre os assuntos mundiais. O ruach pode ser destrutivo ou perturbador (Jz 9:23; 1 Sm 16:14–16, 23), frequentemente energiza seu povo (Ez 2:2), transporta-os (1 Reis 18:12; 2 Reis 2:16; Ezequiel 3:12), dota (enchendo-os) com seu Espírito, dá dons e poder para o serviço sagrado (Êxodo 35:31; Miqueias 3:8), vem e “cai” sobre pessoas divinamente escolhidas e comissionadas para a obra de Deus , inspira as pessoas (Nm 11:17) e, mais vividamente, é visto nos profetas, os “homens do Espírito” (Nm 24:2; 2 Sam. 23:2). O ruach também capacita líderes, especialmente os militares (Jz 6:34; 13:25; 1 Sm 11:6), e autoriza uma pessoa para a liderança do povo de Deus (Dt 34:9; Jz 3:10; 11: 29).

Como concluiu Warfield; “O Espírito de Deus, portanto, aparece desde o início do Antigo Testamento como o princípio da própria existência e persistência de todas as coisas, e como a fonte e causa originária de todo movimento, ordem e vida.”

Este post foi adaptado de The Progressive Mystery de Myk Habets.

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