O Discipulado Cristão


Vivemos em uma época em que todos estão sendo discipulados por alguma coisa ou por alguém. Talvez nunca tenha sido tão evidente que a influência molda o ser humano. Pessoas, ideologias, entretenimento, redes sociais, meios de comunicação, ambientes profissionais, amizades e até mesmo a cultura ao nosso redor trabalham constantemente na formação do nosso modo de pensar, sentir e agir.

O discipulado é, talvez, o mecanismo mais intenso e eficaz para a formação do caráter de uma pessoa. Ele não transmite apenas informações; transmite valores, convicções, hábitos e uma maneira de viver.

Enquanto escrevo estas linhas, inúmeros processos de discipulado acontecem ao mesmo tempo. Jovens aprendem filosofias nos bancos das escolas; amigos influenciam uns aos outros em suas conversas; homens e mulheres têm sua visão de mundo moldada pelos programas de televisão, pelas notícias, pelos filmes, pelas músicas e, hoje mais do que nunca, pelas redes sociais. Muitos acabam absorvendo conceitos completamente distantes da vontade de Deus, tornando-se discípulos de uma cultura que valoriza o ego, o prazer imediato, o sucesso a qualquer custo e a independência do Criador.

Em outras palavras, todos estão sendo discipulados.

A grande questão não é se alguém está sendo discipulado, mas por quem e para quê.

É justamente nesse contexto que surge o discipulado cristão, o único discipulado capaz de restaurar o ser humano à plenitude para a qual Deus o criou.

O discipulado cristão nasceu no próprio coração de Cristo. Ao iniciar seu ministério terreno, Jesus sabia que sua missão não terminaria na cruz nem em sua ascensão aos céus. Era necessário que sua vida continuasse sendo reproduzida em outras vidas.

Por isso, mais do que reunir multidões para ouvi-lo, Jesus escolheu homens comuns para caminharem ao seu lado. Eles observariam sua vida, seu caráter, suas palavras, suas decisões, sua compaixão, sua firmeza, sua oração e sua completa dependência do Pai.

Jesus não apenas ensinava em sermões. Ele ensinava vivendo.

Durante aproximadamente três anos, aqueles homens caminharam diariamente ao seu lado. Comeram com Ele. Dormiram próximos dEle. Viajaram com Ele. Presenciaram milagres. Ouviram suas correções. Receberam encorajamento. Foram confrontados em seus erros. Aprenderam a servir, a amar, a perdoar e a depender totalmente de Deus.

Mais do que transmitir conhecimento, Jesus transmitia vida.

Seu objetivo era que tudo aquilo que havia recebido do Pai fosse reproduzido na vida daqueles discípulos: seu caráter santo, sua intimidade com Deus, sua autoridade espiritual, sua compaixão pelas pessoas, sua fidelidade às Escrituras e sua completa submissão à vontade do Pai.

Ao final daquele processo, aqueles homens já não eram apenas seguidores de Jesus. Haviam se tornado parecidos com Ele.

Foi então que receberam a Grande Comissão:

“Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações…” (Mateus 28.19-20).

Perceba que Jesus não ordenou apenas que pregássemos. Ele ordenou que fizéssemos discípulos.

Existe uma enorme diferença entre converter pessoas e discipulá-las.

Converter é o início da caminhada.

Discipular é acompanhar alguém até que Cristo seja formado nele.

Esse chamado também aparece em Lucas 9.23, quando Jesus declara:

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.”

Ninguém pode conduzir outra pessoa a uma vida de discipulado sem antes viver essa experiência.

Antes de discipular alguém, preciso ser discípulo.

Antes de ensinar, preciso aprender.

Antes de corrigir, preciso permitir que Deus corrija meu próprio coração.

Antes de formar pessoas, preciso continuar sendo formado por Cristo.

Foi exatamente isso que aconteceu com Paulo. Depois de sua conversão, Deus trabalhou profundamente seu orgulho, sua religiosidade, seus conceitos e sua maneira de enxergar o Reino. Enquanto servia à igreja, ele próprio continuava sendo moldado pelo Espírito Santo.

Assim também acontece conosco.

Enquanto discipulamos outras pessoas, Deus continua nos discipulando.

Muitas vezes, o Senhor utiliza exatamente aqueles que estamos ensinando para revelar áreas de nossa própria vida que ainda precisam ser transformadas.

O discipulado, portanto, não é um relacionamento entre um mestre perfeito e um aluno imperfeito.

É a caminhada de dois pecadores sendo aperfeiçoados por Cristo.

Discipular é investir tempo.

É abrir espaço na agenda.

É compartilhar refeições.

É caminhar junto.

É ouvir.

É aconselhar.

É corrigir com amor.

É celebrar conquistas.

É chorar junto nas derrotas.

É ensinar pela Palavra, mas principalmente pelo exemplo.

As pessoas raramente reproduzem apenas aquilo que ensinamos.

Elas reproduzem aquilo que somos.

Por isso, o discipulado não acontece apenas em uma sala de aula, em um curso ou durante um estudo bíblico.

Ele acontece na convivência.

Jesus discipulou andando.

Discipulou servindo.

Discipulou trabalhando.

Discipulou descansando.

Discipulou orando.

Discipulou enfrentando crises.

Discipulou amando pessoas difíceis.

Seu método foi a vida compartilhada.

Esse continua sendo o modelo da Igreja.

O verdadeiro discipulado não produz admiradores do discipulador.

Produz seguidores de Cristo.

O alvo nunca é criar dependência de pessoas, mas conduzir homens e mulheres a uma maturidade espiritual em que aprendam a ouvir a voz do Senhor, amar sua Palavra, servir sua Igreja e fazer novos discípulos.

Assim, o Reino de Deus continua avançando de geração em geração.

Meu desejo é que Deus me conceda a graça de investir minha vida na vida de outras pessoas, permitindo que o caráter de Cristo seja cada vez mais evidente em mim e, através de mim, alcance muitos outros.

Que cada pessoa que caminhe ao meu lado possa enxergar menos de Alex e mais de Jesus.

E que aqueles que forem discipulados também se tornem discipuladores, para que a corrente da graça nunca seja interrompida, até que toda a Terra seja alcançada pelo evangelho de Cristo.

“O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele que for bem instruído será como o seu mestre.” (Lucas 6.40)

Que Cristo seja formado em nós, para que possa ser visto através de nós.

Alex Barreto Cosmo

Pelo estilo da escrita, parece um artigo ou reflexão que você preparou ainda no início do ministério. Mantive a ideia central, preservei o máximo possível da estrutura e da “voz” do autor, mas reescrevi tudo em português mais fluido, desenvolvendo os argumentos, preenchendo as lacunas e organizando o pensamento. Se eu não soubesse que havia sido escrito há muitos anos, diria que foi produzido para um livro.


O Discipulado Cristão

Vivemos em uma época em que todos estão sendo discipulados por alguma coisa ou por alguém. Talvez nunca tenha sido tão evidente que a influência molda o ser humano. Pessoas, ideologias, entretenimento, redes sociais, meios de comunicação, ambientes profissionais, amizades e até mesmo a cultura ao nosso redor trabalham constantemente na formação do nosso modo de pensar, sentir e agir.

O discipulado é, talvez, o mecanismo mais intenso e eficaz para a formação do caráter de uma pessoa. Ele não transmite apenas informações; transmite valores, convicções, hábitos e uma maneira de viver.

Enquanto escrevo estas linhas, inúmeros processos de discipulado acontecem ao mesmo tempo. Jovens aprendem filosofias nos bancos das escolas; amigos influenciam uns aos outros em suas conversas; homens e mulheres têm sua visão de mundo moldada pelos programas de televisão, pelas notícias, pelos filmes, pelas músicas e, hoje mais do que nunca, pelas redes sociais. Muitos acabam absorvendo conceitos completamente distantes da vontade de Deus, tornando-se discípulos de uma cultura que valoriza o ego, o prazer imediato, o sucesso a qualquer custo e a independência do Criador.

Em outras palavras, todos estão sendo discipulados.

A grande questão não é se alguém está sendo discipulado, mas por quem e para quê.

É justamente nesse contexto que surge o discipulado cristão, o único discipulado capaz de restaurar o ser humano à plenitude para a qual Deus o criou.

O discipulado cristão nasceu no próprio coração de Cristo. Ao iniciar seu ministério terreno, Jesus sabia que sua missão não terminaria na cruz nem em sua ascensão aos céus. Era necessário que sua vida continuasse sendo reproduzida em outras vidas.

Por isso, mais do que reunir multidões para ouvi-lo, Jesus escolheu homens comuns para caminharem ao seu lado. Eles observariam sua vida, seu caráter, suas palavras, suas decisões, sua compaixão, sua firmeza, sua oração e sua completa dependência do Pai.

Jesus não apenas ensinava em sermões. Ele ensinava vivendo.

Durante aproximadamente três anos, aqueles homens caminharam diariamente ao seu lado. Comeram com Ele. Dormiram próximos dEle. Viajaram com Ele. Presenciaram milagres. Ouviram suas correções. Receberam encorajamento. Foram confrontados em seus erros. Aprenderam a servir, a amar, a perdoar e a depender totalmente de Deus.

Mais do que transmitir conhecimento, Jesus transmitia vida.

Seu objetivo era que tudo aquilo que havia recebido do Pai fosse reproduzido na vida daqueles discípulos: seu caráter santo, sua intimidade com Deus, sua autoridade espiritual, sua compaixão pelas pessoas, sua fidelidade às Escrituras e sua completa submissão à vontade do Pai.

Ao final daquele processo, aqueles homens já não eram apenas seguidores de Jesus. Haviam se tornado parecidos com Ele.

Foi então que receberam a Grande Comissão:

“Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações…” (Mateus 28.19-20).

Perceba que Jesus não ordenou apenas que pregássemos. Ele ordenou que fizéssemos discípulos.

Existe uma enorme diferença entre converter pessoas e discipulá-las.

Converter é o início da caminhada.

Discipular é acompanhar alguém até que Cristo seja formado nele.

Esse chamado também aparece em Lucas 9.23, quando Jesus declara:

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.”

Ninguém pode conduzir outra pessoa a uma vida de discipulado sem antes viver essa experiência.

Antes de discipular alguém, preciso ser discípulo.

Antes de ensinar, preciso aprender.

Antes de corrigir, preciso permitir que Deus corrija meu próprio coração.

Antes de formar pessoas, preciso continuar sendo formado por Cristo.

Foi exatamente isso que aconteceu com Paulo. Depois de sua conversão, Deus trabalhou profundamente seu orgulho, sua religiosidade, seus conceitos e sua maneira de enxergar o Reino. Enquanto servia à igreja, ele próprio continuava sendo moldado pelo Espírito Santo.

Assim também acontece conosco.

Enquanto discipulamos outras pessoas, Deus continua nos discipulando.

Muitas vezes, o Senhor utiliza exatamente aqueles que estamos ensinando para revelar áreas de nossa própria vida que ainda precisam ser transformadas.

O discipulado, portanto, não é um relacionamento entre um mestre perfeito e um aluno imperfeito.

É a caminhada de dois pecadores sendo aperfeiçoados por Cristo.

Discipular é investir tempo.

É abrir espaço na agenda.

É compartilhar refeições.

É caminhar junto.

É ouvir.

É aconselhar.

É corrigir com amor.

É celebrar conquistas.

É chorar junto nas derrotas.

É ensinar pela Palavra, mas principalmente pelo exemplo.

As pessoas raramente reproduzem apenas aquilo que ensinamos.

Elas reproduzem aquilo que somos.

Por isso, o discipulado não acontece apenas em uma sala de aula, em um curso ou durante um estudo bíblico.

Ele acontece na convivência.

Jesus discipulou andando.

Discipulou servindo.

Discipulou trabalhando.

Discipulou descansando.

Discipulou orando.

Discipulou enfrentando crises.

Discipulou amando pessoas difíceis.

Seu método foi a vida compartilhada.

Esse continua sendo o modelo da Igreja.

O verdadeiro discipulado não produz admiradores do discipulador.

Produz seguidores de Cristo.

O alvo nunca é criar dependência de pessoas, mas conduzir homens e mulheres a uma maturidade espiritual em que aprendam a ouvir a voz do Senhor, amar sua Palavra, servir sua Igreja e fazer novos discípulos.

Assim, o Reino de Deus continua avançando de geração em geração.

Meu desejo é que Deus me conceda a graça de investir minha vida na vida de outras pessoas, permitindo que o caráter de Cristo seja cada vez mais evidente em mim e, através de mim, alcance muitos outros.

Que cada pessoa que caminhe ao meu lado possa enxergar menos de Alex e mais de Jesus.

E que aqueles que forem discipulados também se tornem discipuladores, para que a corrente da graça nunca seja interrompida, até que toda a Terra seja alcançada pelo evangelho de Cristo.

“O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele que for bem instruído será como o seu mestre.” (Lucas 6.40)

Que Cristo seja formado em nós, para que possa ser visto através de nós.

Alex Barreto Cosmo

Escrito em março de 2002 – no T.A.L. Da IDV


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Publico e privado na fé

1 Coríntios 10:31

Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.

É possível glorificar a Deus vivendo a vida comum do lar cuidando das nossas famílias?

É possível glorificar a Deus fazendo bem nosso trabalho ou se destacando no meio acadêmico?

É possível glorificar a Deus fazendo bem uma arte ou cuidando do nosso jardim ou dos nossos sapatos?

É possível glorificar a Deus sem citar o nome de Deus ou diretamente um versículo bíblico?

Uma expressão artística ou do belo como numa pintura, numa poesia ou numa dança pode glorificar a Deus?

É possível glorificar a Deus em atividades como se servir moderadamente numa mesa, dar o lugar a uma outra pessoa mais necessitada, incluir alguém que está sendo marginalizado ou excluído?

A visão dualista, mesmo que nem saibamos direito o que é mas que foi incutida em nós, nos leva a ignorar ou questionar o impacto positivo da espiritualidade das outras atividades do contexto humano, provocando uma polarização e como consequências: ou uma espiritualidade sem corpo público, ou uma vida pública desinteressada do reflexo da glória de Deus .

Aproveito essa reflexão pra parabenizar Rony e Micheline pelo bom trabalho que estão fazendo nesse meio da arte. Cito eles, aproveitando o ensejo da premiação de música que receberam recentemente. Porém, é muito bom saber que estamos em uma comunidade onde muitos estão da mesma forma exaltando a Cristo na esfera do trabalho, da família, da arte etc.

Óbvio que essa visão prática e holística de vida cristã pode nos levar a cair no outro extremo onde negligenciemos o transcendente, a responsabilidade de simplesmente estender as nossas mãos e adorar ao Senhor, ensinar nossos filhos a fazer o mesmo, cantar louvores, a jejuarmos e orarmos, debruçarmos diante de sua palavra e nos estimularmos e exortamos mutuamente à fé, ao amor e as boas obras seja no contexto pessoal, familiar e congregacional.

Que o Senhor nos abençoe com equilíbrio e moderação nessa jornada de fé prática.

Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum.

Cada ano fazemos uma leitura da Bíblia inteira em grupo, com a coordenação do Aprisco. Tem sido uma experiência maravilhosa que traz novas oportunidades pelos olhares e questionamentos ou interpretações dos texto lidos por cada um dos irmãos.

Na leitura de hoje passamos pelo texto:

[Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum.]

Mateus 17:21

Sobre esse texto a irmã S.C. escreveu:

“Sempre que eu lia essa passagem bíblica, lia entendendo que Jesus se referia ao demônio que estava no menino, até um dia ver o Pastor Luciano Subirá fazer uma reflexão de que Jesus estava se referindo aos discípulos dele naquele momento, pela falta de fé na caminhada com ele ( vou tentar achar o vídeo). Queria saber se alguém concorda, ou não… queria entender melhor.” S.C.

Falando do texto, ele se encontra entre colchetes, o que é uma referência de que esse versículo não está explicitamente ou integralmente escrito em todos os manuscritos, mas implícito ou acrescido trazendo outras fontes como de outro evangelho para dar melhor sentido ao mesmo relato. Vamos em frente, pois deixarei umas considerações no final desse texto.

O trecho do vídeo é esse , indo até uns 14min20s

Falando do vídeo, percebi uma certa surpresa de Luciano quando Abe fala que no texto não teria o nome “demônios”. O que é verdade porém, a omissão do nome não retiraria o objeto que foi estabelecido na pergunta dos discípulos do porquê não teriam conseguido expulsar aquele demônio.

Ainda no vídeo, Abe citou Andrew Wommack e Kenneth Hagin que são autores carismáticos e líderes de movimentos de fé e cura. Vale a pena lê-los porém com discernimento pois há certas posições que colocam a vontade e necessidade humanas no centro e deixam de lado temas como a soberania de Deus, a restauração de tudo no mundo vindouro etc.

Quando lemos a Bíblia precisamos fazer um exercício de esvaziamento de nossas preconfiguracões e preferências (pré-inferências) . Deixar o texto bíblico falar o que ele fala e a Bíblia explicar-se por si só. Digo isso porque a depender de nossa escola teológica, filosófica, das experiências pessoais ou até orientações e costumes denominacionais podemos arrastar o texto para agregar a uma visão que já temos ou afastar da visão a qual somos mais resistentes.

É também atividade do exegeta bíblico (quem interpreta minuciosamente ou faz exegese), observar todo o contexto versículos, capítulos e até todo um livro, verificar os textos com relatos paralelos como no caso dos evangelhos. Nesse caso temos ainda os relatos em Marcos 9.14-29 e Lucas 9.37-43 .

Li em um comentário sobre essa pintura de Rafael Sanzio datada entre 1517-1520 muito interessante. Observe:

A Transfiguração – Rafael Sanzio

Essa pintura foi encomendada e baseada em Mateus 17.1-21 que retrata o momento glorioso da transfiguração diante de alguns discípulos. Ao mesmo tempo na mesma tela na parte mais inferior vemos o desespero da derrota dos discípulos no enfrentamento de um demônio na vida de um garoto epilético (outra treta). É o retrato claro de nossas vidas, dos altos e baixos e de como vivemos essa coexistência dos topos e vales.

Considerações

Creio que é sincera a afirmação daquele pai desesperado quando diz : “… eu creio, ajuda na minha incredulidade…” Mc 9.14-29. Deixa claro que o nome de Jesus tem todo o poder sempre, nós porém temos nossas variações de fé pela Graça do Pai, um mestre paciente. Somente a presença de Jesus o filho de Deus pode trazer real vitória às nossas vidas.

O texto de Mateus aponta mais diretamente para a incredulidade dos discípulos mas, podemos observar que o tema da incredulidade se amplia nos outros evangelhos. “… geração incrédula até quando vos suportarei…”, “…ajuda-me na minha incredulidade…” e “… por causa da pequenez da vossa fé…”.

Os discípulos já haviam recebido autoridade e expulsado outros demônios mas aquele especificamente ofereceu uma resistência, o que que acabou expondo uma fraqueza de fé (incredulidade) dos discípulos. Não digo uma total falta de fé mas uma fé deficiente para enfrentar tal circunstância. A fé tem gradações como vemos em Mateus 6.30, 8.26, 14.31, 16.8 e Romanos 14.1. Além disso o relato em Marcos traz um detalhe que é a presença dos escribas interrogando os discípulos de Jesus ampliando a vergonha deles naquela situação.

Da mesma forma, podemos afirmar que há gradações também nas operações malignas, espíritos imundos com resistências diferenciadas. Assim os que estão na frente de batalha precisam Jejuar e orar para: 1) desfrutar de maior consciência de sua relação com Deus; 2) convicção da vontade do pai e sujeição absoluta a ela; 3) ter uma vida consagrada e limpa para que sua consciência não seja afetada bem como o exercício da autoridade em nome de Jesus; 5) manter o foco, retirar as distrações e manter a resistência. A obra de libertação é obra de resistência.

Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.

Tiago 4.7

Podemos analisar tudo de um ponto de vista teológico, dissecando o texto como um sapo na mesa de um laboratório, mas não podemos esquecer que lemos o relato de uma experiência real vivida por pessoas reais com suas caminhadas pessoais e com Jesus, sentimentos e percepções diferentes sobre o que estava acontecendo.

Temos um pai que por anos sofria com o risco de vida do filho, passando por um grupo de discípulos ainda em início de caminhada e aprendizado, tomados de vergonha e medo por conta de um mal que não conseguiram repreender e um grupo de escribas que talvez estavam ali somente se satisfazendo com a falência dos seguidores do novo mestre que cativava os corações.

Jesus chega, interpela os escribas, ouve o pai dolorido e angustiado, repreende seus discípulos, liberta o menino e ensina seus discípulos o caminho de dependência e sujeição ao Pai para vencer as lutas que se apresentam: Jejum e oração.

Não precisamos de fato escolher se Jesus tratava da incredulidade ou dos demônios ou do jejum e oração. Tudo está conectado . Tal como um músculo e um preparo cardiorrespiratório só se revelam diante do peso ou atividade que os exija, assim a fé vai se revelando ante as adversidades que enfrentamos. Para treinar e obter músculos de fé e preparo cardiorrespiratório espiritual a dica do mestre e personal trainer Jesus é : jejum e oração. Como diria um amigo:

“Temos mil mortes a viver.”

Georges Bonneval

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Jesus Tabernaculou = se fez carne

Jesus é o Verbo que se fez carne, o logos de Deus, a palavra (Jo 1) Inicialmente devemos crer que tudo que Jesus conquistou foi consequência de ter se feito carne para que morresse na cruz. Ele não foi egoísta, desejando manter-se Deus. Quem é egoísta busca seus próprios interesses. Nossos maiores problemas são consequência do nosso egoísmo. Não ser egoísta é buscar o olhar do outro. Jesus fazia isso. Ele tinha misericórdia, pois não era egoísta. Ele sentia, pois não sentia apenas suas sensações, mas sentia pelos outros.

Paulo apela para a igreja dizendo: Portanto, se há alguma exortação em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão do Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões, completai o meu gozo, para que tenhais o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, pensando a mesma coisa; (Filipenses 2:1-2.)

Parece uma utopia a ideia de achar que todos pensem a mesma coisa, mas não é disso que o texto fala. Antes ele fala da maneira de refletir. É tentar ver o mundo pela mesma ótica. O padrão de Cristo. Quando olhamos por um telescópio todos vemos um universo pela mesma ótica. 

Tomando como exemplo um casal. Se eles assumem a Palavra de Deus como padrão. Se eles se dobram a essa palavra tudo se resolve. Se pelo menos um enxerga por essa ótica as coisas se resolvem. Um dos dois deve buscar a fazer a sua parte e esperar que Deus faça a parte dEle e ajuste. 

Temos que buscar uma vida que o interesse não seja levar vantagem. Tripudiar sobre a vida do outro pois achamos que temos a razão não é o correto. Todos são iguais diante de Deus. Eu cheguei, eu fiz… porque eu paguei o preço… nada é correto, antes de tudo é vaidade. A sabedoria consiste em levar esse modo de servir, como sendo o menor, ao mundo. Todos somos pó.

É importante não deixar a vaidade chegar ao nosso coração. Deixemos que a humildade chegue. Se ufanar de glórias e conquistas acaba com o coração do homem. A Bíblia nos exorta que a soberba precede a queda. Vide Nabucodonosor e a sua Babilônia. Assumir a glória de Deus nos leva a loucura.

Quando consideramos o outro como superior a nós, Deus se encarrega de nos exaltar. Sempre há vitória. Aparentemente é uma derrota, mas ser menor é o início da vida vitoriosa. Cristo nos ensinou assim. Sendo mestre foi o menor dos escravos, o que lavava pés.

 O versículo 5 é o triunfante. 

Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus,( Filipenses 2:5)

 Deveria ser uma bússola. Algo que ecoasse em nossa mente a todo tempo pois esse é o caminho do Reino de Deus. É um caminho apertado. 

Muitos buscam na religião essa bússola. Ancorar ou se guiar com base na tradição religiosa é erro. Cristo e o Reino não podem ser substituídos pela religiosidade. 

Lembremos que nosso guia é o Espirito Santo. Ele é alguém que nos coloniza e nos mostra as leis e diretrizes do Reino. Esse é o sentimento que havia em Cristo. 

Temperamentos, modos de viver devem se submeter ao modo de Deus. Ao padrão de Deus. Ser controlado por emoção acaba nos levando a uma vida flutuante. Intelecto e emoções não fazem o papel do Espirito Santo. O nome dessa ação equilibrada movida pelo Espirito é temperança. 

Como em todo reino no Reino de Deus existe leis. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Essa é a Lei que governa o Reino. Deus criou as Leis e devemos viver debaixo delas. Não viver as Leis é rebeldia. Esse padrão de vida não condiz com aqueles que banqueteiam com o Rei. Lembre-se dos convites para o banquete. Caso não façamos a nossa parte Ele convidará aos mendigos, aos sem-teto, a todos, menos aos rebeldes.

Jesus resolveu obedecer, versículo 6, mesmo sendo em forma de Deus. O padrão é obedecer ao padrão do Reino. 

O nosso dia-a-dia é o local e momento de colocarmos a prova o que aprendemos. Treinamos na igreja e jogamos nas nossas ações cotidianas. Jogo é jogo, treino é treino. A carne não deve nos dominar, pois as provas virão. A quem iremos manifestar?

Entenda que a luta de Cristo, também, foi em obedecer. Ele foi homem. Ele era carne, tinha vontade. Ele tinha a possibilidade de pecar. Ninguém que não tenha essa possibilidade pode ser tentado. Ele foi tentado em tudo. Ele cumpriu a Lei do Reino. Ele não veio para destruir a Lei, veio para cumprir. Ele assume a Constituição do Reino de Deus e passa a ser a vivificação dela. Cristo é a Constituição viva do Reino de Deus. 

Cristo não foi egoísta. Não quis ser Deus. Embora pudesse. Precisamos nos submeter.

O versículo 7 diz que Jesus se esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens;( Filipenses 2:7).

Deus não vai nos esvaziar. Somos nós que devemos nos esvaziar. Esvaziar-se a si mesmo. 

Muitas pessoas não se esvaziam e ainda retém outras pessoas por falta de perdão. Perdoar é o segredo para uma boa vida. Reter trás o mal e não afeta a vida de quem é retido. O credor impassível reteu alguém por uma miséria, quando foi preso, não podia mais cobrar. Fazer o bem é o segredo. Não deixe o inimigo tripudiar da sua vida. A sua ação deve ser segundo o padrão do Reino.

Jesus nos ensinou a buscar primeiro o Reino pois nossas reações às ações do mundo deve ser baseada nas diretrizes do Reino. Busquemos o Reino em nossas ações antes que o reino do maligno ou da nossa carne chegue primeiro ao nosso coração.

Jesus nos ensinou a não se arvorar para sentar-se a frente, nos primeiros lugares. Sentar nas últimas fileira pode levar a alguém, que note, a te trazer para frente. Vergonhoso é estar na frente e ser convidado a ir para trás. 

Jesus, Deus, esvaziou-se. Tornou-se homem. Não bastando ser homem, se humilhou  e foi obediente até a morte. O versículo 9 diz que Deus o exaltou soberanamente. Essa é a resposta de Deus para aqueles que vivem segundo as Leis do Reino.

Não houve busca de fazer valer opinião, posição, vontade, nada. Jesus vinha para salvar e não para condenar. Pois essa era a missão dELe diante daquilo que o Reino e o Rei havia posto.

O Rei resolve nossos problemas, faz valer nossas posições. Tudo cabe a Ele, do jeito dEle e no tempo dEle. 

Entregar os problemas nas mãos do Rei é garantia de resolução. Devemos apenas confiar e descansar, como Jesus ensinou. Normalmente nós não entregamos nosso problemas a Deus. Dar não é segurar na outra ponta. Dar é largar, soltar, deixar e esquecer em confiança. O que a força do nosso braço pode conseguir?

No meio do caminho Deus nos guia por melhoras para que não venhamos a erra, mais uma vez. Para Deus o que mais vale é o nosso caráter transformado. O Reino é assim. Transformar caráter depende de nós também, uma vez que o Espirito Santo sinaliza mas a mudança é nossa. Para Deus é melhor que você não tenha e vá para o céu do que te dar e ver tua alma perecer.

As principais razões de Deus “ainda” não ter realizado as vontades das pessoas, normalmente, são: 

1. Deus não quer te dar, pois essa não é a vontade dEle;

2. Você não está preparado para receber o que Ele tem pra ti, pois é sempre mais do que pedimos e Ele está moldando seu caráter para que então você possa receber o que ele tem pra você;

3. Ele está te ensinado a dar valor ao que vai receber e a não chegar depois e dizer que foi a força do seu braço que conseguiu mas sim o Senhor, pois Ele pode dar.

A fé é acreditar que tudo que está na palavra vai se cumprir ainda que olhos, ouvidos não sintam. Tudo vai se cumprir e que Ele irá resolver. Pois Ele cuida de nós. As nossas angustias só nos levam a esquecer que temos um Rei que cuida de nós. Ele nos toma pela mão direita. É Ele que nos esforça. Devemos confiar, pois tudo vem dEle. O Reino é REAL. Ele vai se materializar em nossa vida a partir de nós mesmos.

Texto de 30 de setembro de 2010

#CristoemMim

O hiper-pastoreamento

O hiperpastoreamento ou “pastoramento pesado” (também conhecido como “Movimento do Discipulado”) é um método de controle psicológico usado por igrejas e cultos abusivos. Surgiu do Movimento de Pastoreio da década de 1970. As Igrejas Internacionais de Cristo do Movimento de Boston são talvez o grupo mais conhecido que pratica o pastoreio pesado. Outro grupo infame que saiu do Movimento de Pastoreio foi o Christian Grown Ministries em Fort Lauderdale, Flórida.

Igrejas e cultos de hiperpastoreio podem ser identificados pelas seguintes práticas:

• Submissão a “parceiros de discipulado” ou “pastores” e aqueles em autoridade
• Obrigação de confessar o pecado a “parceiros de discipulado” ou “pastores”
• Lealdade e obediência inquestionáveis a todos aqueles que estão em autoridade
• Obrigação de recrutar intensivamente outros para se juntarem ao movimento
• Liderança autoritária e experiência em grupo
• Conformidade com os padrões do movimento
• Manipulação e intimidação espiritual
• Sistema hierárquico de prestação de contas
• Legalismo e controle sobre os membros
• Proibição de ler qualquer literatura não aprovada pela liderança
• Denúncia de membros suspeitos de serem inconformistas
• Total dependência do movimento e das lideranças para aprovação
• Medo de punição ou humilhação por questionar a liderança

Qualquer líder que exija obediência e submissão cegas está construindo sobre uma base falsa de autoridade. A verdadeira autoridade vem somente de Deus e não pode ser tomada por homens que simplesmente buscam poder e autoridade sobre os outros, que querem estar no comando e serem admirados. Se um grupo ou uma pessoa assume autoridade com base apenas em função, cargo ou posição, então ele está abusando de sua posição. Os HiperPastores são agentes religiosos que controlam os outros através do medo. Eles pregam sobre autoridade, submissão, julgamento, prosperidade e fim dos tempos. Esses falsos pastores se apresentam como a fonte de todo conhecimento e autoridade. Eles punem as pessoas que não atendem a um determinado padrão e as condenam ao ostracismo como se não tivessem a aprovação de Deus. Eles ignoram o fato de que os cristãos já têm a aprovação de Deus através do sangue derramado de Jesus Cristo – nenhuma pessoa pode “ganhar” a aprovação de Deus.

Há uma base bíblica para a estrutura dentro da igreja. Hebreus 13:17 nos diz para obedecermos aos nossos líderes e nos submetermos à sua autoridade porque “eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Faça isso para que o trabalho deles seja uma alegria, não um fardo, pois isso não seria de nenhum benefício para você”.

Mas quando os líderes dizem ao seu rebanho para não pensar, não fazer perguntas e ignorar os problemas, eles estão abusando de sua posição. Quando as pessoas que pensam, fazem perguntas e enfrentam problemas são rotuladas como insubmissas, não espirituais ou divisivas, elas estão sendo abusadas por falsos profetas que “vêm até vocês disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes” (Mateus 7:15). ).

João 10:1-18 mostra que a igreja deve ser modelada em Cristo Jesus, que é o bom pastor. Quando Ele chama Suas ovelhas, elas reconhecem Sua voz e O seguem. E, mais importante, Jesus diz: “Dou a minha vida pelas ovelhas” (versículo 15). Um bom pastor conduz seu rebanho em segurança e os protege de predadores que procuram prejudicá-los.

Jesus instrui Seus discípulos a obedecerem Seus mandamentos, assim como Ele obedeceu ao Pai. Mas não há nada pesado sobre este comando! “Eu lhes disse isso para que minha alegria esteja em vocês e que sua alegria seja completa. Minha ordem é esta: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei… Já não vos chamo servos, porque o servo não conhece os negócios do seu senhor. Em vez disso, chamei vocês de amigos, pois tudo o que aprendi de meu Pai vos dei a conhecer. Não me escolhestes vós, mas eu vos escolhi a vós, e vos designei para ir e dar fruto… Este é o meu mandamento: Amem-se uns aos outros” (João 15:9-17). Em nenhum lugar Jesus sugere que temos que nos submeter cegamente aos homens. Em vez disso, devemos nos submeter a Cristo, que é a cabeça de todo homem (1 Coríntios 11:3). E em todas as coisas, devemos obedecer a Deus e não aos homens (Atos 5:29).

É assim que o pastoreio deve ser feito: “Sede pastores do rebanho de Deus que está sob seus cuidados, servindo como supervisores – não porque você deve, mas porque você quer, como Deus quer que você seja; não gananciosos por dinheiro, mas ansiosos por servir; não dominando os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo para o rebanho…Todos vós, revesti-vos de humildade uns para com os outros, porque ‘Deus se opõe aos soberbos, mas dá graça aos humildes’. Lance sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de você” (1 Pedro 5:1-7). Um pastor de pastoreio pesado é exatamente o oposto do humilde líder-servo que Pedro endossa.

Jesus disse a Seus discípulos: “Os reis dos gentios os dominam; e aqueles que exercem autoridade sobre eles chamam a si mesmos de benfeitores. Mas você não deve ser assim. Em vez disso, o maior entre vocês deve ser como o mais jovem, e o que governa como o que serve” (Lucas 22:25-26).

Os líderes cristãos têm a obrigação de seguir o exemplo de humildade e compaixão de Jesus. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam comigo, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11:28-30).

Cuidado com qualquer grupo religioso que pratique conceitos de “pastoreio”, “submissão” e “cobertura”. Fomos comprados pelo precioso sangue de Cristo Jesus e “levados à gloriosa liberdade dos filhos de Deus” (Romanos 8:21). “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei firmes, pois, e não vos deixeis sobrecarregar novamente por um jugo de escravidão” (Gálatas 5:1).

Fonte : gotQuestions

Raizes do Ciúme Espiritual

Por John Piper

Ciúme não é apenas a paixão de ter o poder que outra pessoa tem. Em si, pode não haver nada de errado com isso de querer o poder de Deus em sua vida que você vê na vida de outra pessoa. Ciúme é a raiva e o ressentimento porque o outro têm e você não, e querer estar no lugar que Deus escolheu para outra pessoa. É querer “o mesmo” e não “do mesmo”. O ciúme não quer apenas ter o que o outro tem; ele quer que o outro não o tenha.

Qual é a raiz desse ciúme? Três coisas:

Primeiro, falta de amor (1 Coríntios 13:4): se você ama outra pessoa, você se alegrará se Deus lhe der poder, mesmo que ele não o dê a você.

Segundo, falta de fé: se você tem fé na graça soberana de Deus para dar poder de acordo com sua própria sabedoria divina, então você o louvará pelos tempos e formas de seu derramamento, não o questionará e se ressentirá de suas escolhas. Novamente, é a forte dose da soberania de Deus que nos manteria longe do pecado do ciúme. Deus sabe o que está fazendo, e ele é sábio e bom em dar o Espírito em poder onde quer que ele queira. A fé pode clamar para que venha; mas a fé não critica Deus por quando e onde vem.

Mas há uma terceira raiz do ciúme. Não apenas falta de amor e infidelidade, mas também falsa doutrina – falso ensino. Tome os saduceus, por exemplo (aqui no v. 17). Eles teriam dito: “A questão não é amor e fé, a questão é doutrina: esses cristãos estão ensinando a ressurreição de Jesus e de seus seguidores e isso é falso. Não há ressurreição (Atos 23:6-8). A razão pela qual estamos zangados por esses cristãos estarem fazendo obras de poder é que eles estão enganando as pessoas para acreditarem no que não é verdade. Não há ressurreição e esses truques de mágica (ou o que quer que estejam fazendo) estão apenas desviando as pessoas. “

Discipulado e Cruz

por D. Bonhoeffer

A abnegação nunca pode ser definida como uma profusão – ainda que grande – de atos individuais de autotortura ou de ascetismo. Não é o suicídio, pois também aí a vontade própria de uma pessoa ainda pode se afirmar. A abnegação significa conhecer apenas Cristo, e não mais a si mesmo. Significa ver apenas Cristo, que vai à nossa frente, e não mais o caminho que é muito difícil para nós. Novamente, abnegação está dizendo apenas: Ele vai à nossa frente; agarre-se a ele…

O primeiro sofrimento que devemos experimentar é o chamado para romper nossos laços com este mundo. Esta é a morte do velho ser humano no encontro com Jesus Cristo. Quem entra no discipulado entra na morte de Jesus e põe sua própria vida na morte; isso tem sido assim desde o início. A cruz não é o fim horrível de uma vida piedosa e feliz, mas é no início da comunidade com Jesus Cristo. Todo chamado de Cristo leva à morte. Quer como os primeiros discípulos que deixaram suas casas e ocupação para segui-lo, quer como Lutero que deixou o mosteiro para entrar na profissão secular, em ambos os casos, a única morte nos espera, a saber, a morte em Jesus Cristo, a morte da nossa velha forma de ser humano no chamado de Jesus.

Mas há ainda outro sofrimento e outra desgraça que nenhum cristão escapa. Somente o sofrimento de Cristo na cruz é o sofrimento da reconciliação e da salvação. No entanto, porque Cristo sofreu por causa dos pecados do mundo, porque todo o fardo do pecado caiu sobre ele, e porque Jesus Cristo lega aos discípulos o fruto de seu sofrimento, por causa de tudo isso, tentação e pecado também recaem sobre os discípulos. Ele os cobre de pura vergonha e os expulsa das portas da cidade como o bode expiatório. Assim o cristão passa a carregar o pecado e a culpa pelos outros.

Os cristãos individuais entrariam em colapso sob o peso disso, se eles mesmos não fossem carregados por aquele que carregou todos os pecados. Desta forma, no entanto, eles podem, no poder do próprio sofrimento de Cristo, vencer todos os pecados que caem sobre eles, perdoando-os. Assim os cristãos se tornam portadores de fardos: “Levai os fardos uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6:2). Assim como Cristo leva nossos fardos, também devemos carregar os fardos de nossos irmãos e irmãs. A lei de Cristo que deve ser cumprida é carregar a cruz. O fardo do meu irmão ou irmã que devo carregar não é apenas o destino externo dessa pessoa, o caráter e a personalidade dessa pessoa, mas é, em um sentido muito real, o pecado dessa pessoa. Eu não posso suportá-lo, exceto perdoando-o, no poder da cruz de Cristo, na qual eu também tenho uma porção.

Aqueles que não estão preparados para tomar a cruz, aqueles que não estão preparados para entregar sua vida ao sofrimento e à rejeição dos outros, perdem a comunidade com Cristo e não são discípulos. Discipulado é compromisso com o Cristo sofredor.

Se realmente encontramos a paz de Deus será demonstrado pela maneira como lidamos com os sofrimentos que virão sobre nós. Há muitos cristãos que, de fato, se ajoelham diante da cruz de Jesus Cristo, mas rejeitam e lutam contra todas as tribulações em suas próprias vidas. Eles acreditam que amam a cruz de Cristo e, no entanto, odeiam essa cruz em suas próprias vidas. E assim, na verdade, eles também odeiam a cruz de Jesus Cristo, e na verdade desprezam essa cruz e tentam por todos os meios possíveis escapar dela.

Aqueles que reconhecem que vêem o sofrimento e a tribulação em suas próprias vidas apenas como algo hostil e mau podem ver por esse mesmo fato que eles não encontraram paz com Deus. Basicamente, eles buscaram apenas a paz com o mundo, acreditando possivelmente que por meio da cruz de Jesus Cristo eles poderiam chegar a um acordo consigo mesmos e com todas as suas questões, e assim encontrar a paz interior da alma. Eles usaram a cruz, mas não a amaram. Eles buscaram a paz para seu próprio bem. Mas quando a tribulação vem, essa paz rapidamente foge deles. Não era paz com Deus, pois eles odiavam a tribulação que Deus envia.

Se realmente encontramos a paz de Deus será demonstrado pela maneira como lidamos com os sofrimentos que virão sobre nós.

Assim, aqueles que simplesmente odeiam tribulação, renúncia, angústia, difamação, prisão em suas próprias vidas, não importa quão grandiosamente possam falar sobre a cruz, essas pessoas na realidade odeiam a cruz de Jesus e não encontraram a paz com Deus. Mas aqueles que amam a cruz de Jesus Cristo, aqueles que genuinamente encontraram paz nela, agora começam a amar até as tribulações em suas vidas e, finalmente, serão capazes de dizer com as escrituras: “Também nos gloriamos em nossos sofrimentos”. (Rm 5.3-5)

Allélon = Mutualidade

Como devemos agir entre nós? Veja umas dicas! 

a. Jo 15.12 à Amando uns aos outros
b. Ef 4.2 à Suportando-vos uns aos outros
c. Gl 5.13 à Servindo uns aos outros
d. Cl 3.16 à Ensinando uns aos outros
e. 2 Co 1.4 à Confortando uns aos outros
f. Tg 5.13 à Orando uns pelos outros
g. Rm 15.15 à Exortando uns aos outros
h. 1 Pe 4.10 à Completando-nos mutuamente
i. 1 Jo 1.3 à Mantendo comunhão uns com os outros
j. Gl 6.1,2; 2 Co 2.7,11 à Restaurando uns aos outros
k. Ef 5.1; 1 Pe 5.5 à Sujeitando-vos uns aos outros
l. Ef 4.29; 1 Ts 5.11 à Edificando-vos uns aos outros
m. Ef 4.32 à Perdoando-vos uns aos outros
n. Ef 5.19 à Falando entre vós
o. Rm 12.10 à Preferindo-vos uns aos outros
p. Fp 2.2,4 à Considerando-vos uns aos outros
q. Rm 15.7 à Acolhendo-vos uns aos outros
r. Rm 15.26; 2 Co 9.3,7,13 à Doando-vos uns aos outros
s. Rm 16.16; 2 Co 13.12 à Saudando-vos uns aos outros
t. 2 Co 1.7; 1 Co 12.25 à Sofrendo uns com os outros
u. Tg 4.11 à Não falando mal uns dos outros
v. Tg 5.9 à Não vos queixando uns dos outros
w. 1 Pe 4.9; Rm 12.13 à Sendo mutuamente hospitaleiros
x. 1 Ts 5.13 à Vivendo em paz com os outros
y. Ef 4.12; 2 Co 13.11 à Aperfeiçoando-vos uns aos outros

CONECTADOS 

Mais amor por favor?
Gálatas 5:16-26

Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.

Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.

Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei. Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.

Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.

E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros.

#JesusSuficiente

#PastoraisAprisco

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