O Discipulado Cristão


Vivemos em uma época em que todos estão sendo discipulados por alguma coisa ou por alguém. Talvez nunca tenha sido tão evidente que a influência molda o ser humano. Pessoas, ideologias, entretenimento, redes sociais, meios de comunicação, ambientes profissionais, amizades e até mesmo a cultura ao nosso redor trabalham constantemente na formação do nosso modo de pensar, sentir e agir.

O discipulado é, talvez, o mecanismo mais intenso e eficaz para a formação do caráter de uma pessoa. Ele não transmite apenas informações; transmite valores, convicções, hábitos e uma maneira de viver.

Enquanto escrevo estas linhas, inúmeros processos de discipulado acontecem ao mesmo tempo. Jovens aprendem filosofias nos bancos das escolas; amigos influenciam uns aos outros em suas conversas; homens e mulheres têm sua visão de mundo moldada pelos programas de televisão, pelas notícias, pelos filmes, pelas músicas e, hoje mais do que nunca, pelas redes sociais. Muitos acabam absorvendo conceitos completamente distantes da vontade de Deus, tornando-se discípulos de uma cultura que valoriza o ego, o prazer imediato, o sucesso a qualquer custo e a independência do Criador.

Em outras palavras, todos estão sendo discipulados.

A grande questão não é se alguém está sendo discipulado, mas por quem e para quê.

É justamente nesse contexto que surge o discipulado cristão, o único discipulado capaz de restaurar o ser humano à plenitude para a qual Deus o criou.

O modelo de Jesus

O discipulado cristão nasceu no próprio coração de Cristo. Ao iniciar seu ministério terreno, Jesus sabia que sua missão não terminaria na cruz nem em sua ascensão aos céus. Era necessário que sua vida continuasse sendo reproduzida em outras vidas.

Por isso, mais do que reunir multidões para ouvi-lo, Jesus escolheu homens comuns para caminharem ao seu lado. Eles observariam sua vida, seu caráter, suas palavras, suas decisões, sua compaixão, sua firmeza, sua oração e sua completa dependência do Pai.

Jesus não apenas ensinava em sermões. Ele ensinava vivendo.

Durante aproximadamente três anos, aqueles homens caminharam diariamente ao seu lado. Comeram com Ele. Dormiram próximos dEle. Viajaram com Ele. Presenciaram milagres. Ouviram suas correções. Receberam encorajamento. Foram confrontados em seus erros. Aprenderam a servir, a amar, a perdoar e a depender totalmente de Deus.

Mais do que transmitir conhecimento, Jesus transmitia vida.

Seu objetivo era que tudo aquilo que havia recebido do Pai fosse reproduzido na vida daqueles discípulos: seu caráter santo, sua intimidade com Deus, sua autoridade espiritual, sua compaixão pelas pessoas, sua fidelidade às Escrituras e sua completa submissão à vontade do Pai.

Ao final daquele processo, aqueles homens já não eram apenas seguidores de Jesus. Haviam se tornado parecidos com Ele.

A Grande Comissão

Foi então que receberam a Grande Comissão:

“Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações…” (Mateus 28.19-20).

Perceba que Jesus não ordenou apenas que pregássemos. Ele ordenou que fizéssemos discípulos.

Existe uma enorme diferença entre converter pessoas e discipulá-las.

Converter é o início da caminhada.

Discipular é acompanhar alguém até que Cristo seja formado nele.

Esse chamado também aparece em Lucas 9.23, quando Jesus declara:

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.”

Antes de discipular, seja discípulo

Ninguém pode conduzir outra pessoa a uma vida de discipulado sem antes viver essa experiência.

Antes de discipular alguém, preciso ser discípulo.

Antes de ensinar, preciso aprender.

Antes de corrigir, preciso permitir que Deus corrija meu próprio coração.

Antes de formar pessoas, preciso continuar sendo formado por Cristo.

Foi exatamente isso que aconteceu com Paulo. Depois de sua conversão, Deus trabalhou profundamente seu orgulho, sua religiosidade, seus conceitos e sua maneira de enxergar o Reino. Enquanto servia à igreja, ele próprio continuava sendo moldado pelo Espírito Santo.

Assim também acontece conosco.

Enquanto discipulamos outras pessoas, Deus continua nos discipulando.

Muitas vezes, o Senhor utiliza exatamente aqueles que estamos ensinando para revelar áreas de nossa própria vida que ainda precisam ser transformadas.

O discipulado, portanto, não é um relacionamento entre um mestre perfeito e um aluno imperfeito.

É a caminhada de dois pecadores sendo aperfeiçoados por Cristo.

Discipulado é vida compartilhada

Discipular é investir tempo.

É abrir espaço na agenda.

É compartilhar refeições.

É caminhar junto.

É ouvir.

É aconselhar.

É corrigir com amor.

É celebrar conquistas.

É chorar junto nas derrotas.

É ensinar pela Palavra, mas principalmente pelo exemplo.

As pessoas raramente reproduzem apenas aquilo que ensinamos.

Elas reproduzem aquilo que somos.

Por isso, o discipulado não acontece apenas em uma sala de aula, em um curso ou durante um estudo bíblico.

Ele acontece na convivência.

Jesus discipulou andando.

Discipulou servindo.

Discipulou trabalhando.

Discipulou descansando.

Discipulou orando.

Discipulou enfrentando crises.

Discipulou amando pessoas difíceis.

Seu método foi a vida compartilhada.

Esse continua sendo o modelo da Igreja.

O alvo: formar seguidores de Cristo

O verdadeiro discipulado não produz admiradores do discipulador.

Produz seguidores de Cristo.

O alvo nunca é criar dependência de pessoas, mas conduzir homens e mulheres a uma maturidade espiritual em que aprendam a ouvir a voz do Senhor, amar sua Palavra, servir sua Igreja e fazer novos discípulos.

Assim, o Reino de Deus continua avançando de geração em geração.

Meu desejo é que Deus me conceda a graça de investir minha vida na vida de outras pessoas, permitindo que o caráter de Cristo seja cada vez mais evidente em mim e, através de mim, alcance muitos outros.

Que cada pessoa que caminhe ao meu lado possa enxergar menos de Alex e mais de Jesus.

E que aqueles que forem discipulados também se tornem discipuladores, para que a corrente da graça nunca seja interrompida, até que toda a Terra seja alcançada pelo evangelho de Cristo.

“O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele que for bem instruído será como o seu mestre.” (Lucas 6.40)

Que Cristo seja formado em nós, para que possa ser visto através de nós.

Alex Barreto Cosmo


Leia também

O hiper-pastoreamento

O hiperpastoreamento ou “pastoramento pesado” (também conhecido como “Movimento do Discipulado”) é um método de controle psicológico usado por igrejas e cultos abusivos. Surgiu do Movimento de Pastoreio da década de 1970. As Igrejas Internacionais de Cristo do Movimento de Boston são talvez o grupo mais conhecido que pratica o pastoreio pesado. Outro grupo infame que saiu do Movimento de Pastoreio foi o Christian Grown Ministries em Fort Lauderdale, Flórida.

Igrejas e cultos de hiperpastoreio podem ser identificados pelas seguintes práticas:

• Submissão a “parceiros de discipulado” ou “pastores” e aqueles em autoridade
• Obrigação de confessar o pecado a “parceiros de discipulado” ou “pastores”
• Lealdade e obediência inquestionáveis a todos aqueles que estão em autoridade
• Obrigação de recrutar intensivamente outros para se juntarem ao movimento
• Liderança autoritária e experiência em grupo
• Conformidade com os padrões do movimento
• Manipulação e intimidação espiritual
• Sistema hierárquico de prestação de contas
• Legalismo e controle sobre os membros
• Proibição de ler qualquer literatura não aprovada pela liderança
• Denúncia de membros suspeitos de serem inconformistas
• Total dependência do movimento e das lideranças para aprovação
• Medo de punição ou humilhação por questionar a liderança

Qualquer líder que exija obediência e submissão cegas está construindo sobre uma base falsa de autoridade. A verdadeira autoridade vem somente de Deus e não pode ser tomada por homens que simplesmente buscam poder e autoridade sobre os outros, que querem estar no comando e serem admirados. Se um grupo ou uma pessoa assume autoridade com base apenas em função, cargo ou posição, então ele está abusando de sua posição. Os HiperPastores são agentes religiosos que controlam os outros através do medo. Eles pregam sobre autoridade, submissão, julgamento, prosperidade e fim dos tempos. Esses falsos pastores se apresentam como a fonte de todo conhecimento e autoridade. Eles punem as pessoas que não atendem a um determinado padrão e as condenam ao ostracismo como se não tivessem a aprovação de Deus. Eles ignoram o fato de que os cristãos já têm a aprovação de Deus através do sangue derramado de Jesus Cristo – nenhuma pessoa pode “ganhar” a aprovação de Deus.

Há uma base bíblica para a estrutura dentro da igreja. Hebreus 13:17 nos diz para obedecermos aos nossos líderes e nos submetermos à sua autoridade porque “eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Faça isso para que o trabalho deles seja uma alegria, não um fardo, pois isso não seria de nenhum benefício para você”.

Mas quando os líderes dizem ao seu rebanho para não pensar, não fazer perguntas e ignorar os problemas, eles estão abusando de sua posição. Quando as pessoas que pensam, fazem perguntas e enfrentam problemas são rotuladas como insubmissas, não espirituais ou divisivas, elas estão sendo abusadas por falsos profetas que “vêm até vocês disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes” (Mateus 7:15). ).

João 10:1-18 mostra que a igreja deve ser modelada em Cristo Jesus, que é o bom pastor. Quando Ele chama Suas ovelhas, elas reconhecem Sua voz e O seguem. E, mais importante, Jesus diz: “Dou a minha vida pelas ovelhas” (versículo 15). Um bom pastor conduz seu rebanho em segurança e os protege de predadores que procuram prejudicá-los.

Jesus instrui Seus discípulos a obedecerem Seus mandamentos, assim como Ele obedeceu ao Pai. Mas não há nada pesado sobre este comando! “Eu lhes disse isso para que minha alegria esteja em vocês e que sua alegria seja completa. Minha ordem é esta: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei… Já não vos chamo servos, porque o servo não conhece os negócios do seu senhor. Em vez disso, chamei vocês de amigos, pois tudo o que aprendi de meu Pai vos dei a conhecer. Não me escolhestes vós, mas eu vos escolhi a vós, e vos designei para ir e dar fruto… Este é o meu mandamento: Amem-se uns aos outros” (João 15:9-17). Em nenhum lugar Jesus sugere que temos que nos submeter cegamente aos homens. Em vez disso, devemos nos submeter a Cristo, que é a cabeça de todo homem (1 Coríntios 11:3). E em todas as coisas, devemos obedecer a Deus e não aos homens (Atos 5:29).

É assim que o pastoreio deve ser feito: “Sede pastores do rebanho de Deus que está sob seus cuidados, servindo como supervisores – não porque você deve, mas porque você quer, como Deus quer que você seja; não gananciosos por dinheiro, mas ansiosos por servir; não dominando os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo para o rebanho…Todos vós, revesti-vos de humildade uns para com os outros, porque ‘Deus se opõe aos soberbos, mas dá graça aos humildes’. Lance sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de você” (1 Pedro 5:1-7). Um pastor de pastoreio pesado é exatamente o oposto do humilde líder-servo que Pedro endossa.

Jesus disse a Seus discípulos: “Os reis dos gentios os dominam; e aqueles que exercem autoridade sobre eles chamam a si mesmos de benfeitores. Mas você não deve ser assim. Em vez disso, o maior entre vocês deve ser como o mais jovem, e o que governa como o que serve” (Lucas 22:25-26).

Os líderes cristãos têm a obrigação de seguir o exemplo de humildade e compaixão de Jesus. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam comigo, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11:28-30).

Cuidado com qualquer grupo religioso que pratique conceitos de “pastoreio”, “submissão” e “cobertura”. Fomos comprados pelo precioso sangue de Cristo Jesus e “levados à gloriosa liberdade dos filhos de Deus” (Romanos 8:21). “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei firmes, pois, e não vos deixeis sobrecarregar novamente por um jugo de escravidão” (Gálatas 5:1).

Fonte : gotQuestions

Raizes do Ciúme Espiritual

Por John Piper

Ciúme não é apenas a paixão de ter o poder que outra pessoa tem. Em si, pode não haver nada de errado com isso de querer o poder de Deus em sua vida que você vê na vida de outra pessoa. Ciúme é a raiva e o ressentimento porque o outro têm e você não, e querer estar no lugar que Deus escolheu para outra pessoa. É querer “o mesmo” e não “do mesmo”. O ciúme não quer apenas ter o que o outro tem; ele quer que o outro não o tenha.

Qual é a raiz desse ciúme? Três coisas:

Primeiro, falta de amor (1 Coríntios 13:4): se você ama outra pessoa, você se alegrará se Deus lhe der poder, mesmo que ele não o dê a você.

Segundo, falta de fé: se você tem fé na graça soberana de Deus para dar poder de acordo com sua própria sabedoria divina, então você o louvará pelos tempos e formas de seu derramamento, não o questionará e se ressentirá de suas escolhas. Novamente, é a forte dose da soberania de Deus que nos manteria longe do pecado do ciúme. Deus sabe o que está fazendo, e ele é sábio e bom em dar o Espírito em poder onde quer que ele queira. A fé pode clamar para que venha; mas a fé não critica Deus por quando e onde vem.

Mas há uma terceira raiz do ciúme. Não apenas falta de amor e infidelidade, mas também falsa doutrina – falso ensino. Tome os saduceus, por exemplo (aqui no v. 17). Eles teriam dito: “A questão não é amor e fé, a questão é doutrina: esses cristãos estão ensinando a ressurreição de Jesus e de seus seguidores e isso é falso. Não há ressurreição (Atos 23:6-8). A razão pela qual estamos zangados por esses cristãos estarem fazendo obras de poder é que eles estão enganando as pessoas para acreditarem no que não é verdade. Não há ressurreição e esses truques de mágica (ou o que quer que estejam fazendo) estão apenas desviando as pessoas. “

O Offroad de Deus

“Ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens.” 1 Samuel 22:2

Davi era um homem procurado com um prêmio pela sua cabeça. Enquanto a maioria dos cidadãos íntegros fugia de seu caminho, muitas pessoas desesperadas o viram como sua esperança. Eles sabiam que ele era confiável, mas também se relacionavam com ele porque não tinha refúgio ele estava offroad.

A vida de Davi havia se transformado de um ninguém, para um herói nacional e agora para um fugitivo inocente. Ele deve ter desejado nunca ter se oferecido para lutar contra aquele gigante. Mesmo assim, Deus o tirou da obscuridade e o colocou no centro das atenções.

Por que o Senhor permitiu que seu ungido fugisse assustado antes de colocá-lo no trono?

Havia um plano maior em ação. A paciência, confiança e fidelidade de Davi foram testadas e finalmente recompensadas.

Às vezes, no caminho para seu destino maior, Deus permite e nos faz entrar na telha de um offroad por um tempo.

Extraído de Servant Leader Strong: Uniting Biblical Wisdom and High-Performance Leadership, de Tom Harper (DeepWater Books, 2019).

Dream Team

  
Em 1992, Nas Olimpíadas de Barcelona, uma seleção de basquete chamou atenção do mundo. Os escretes que jogavam contra o aquele time, pareciam dar tudo de si, mas aquela equipe parecia estar apenas brincando, tudo parecia tão fácil,” e natural. Eles venceram aquele torneio completamente invictos e ganhando todas as partidas com diferença acima de 30 pontos e então passaram a ser conhecidos como “Dream Team”. 

A escalação do Dream Team era a seguinte: Charles Barkley – Phoenix Suns; Larry Bird – Boston Celtics; Clyde Drexler – Portland Trail Blazers; Patrick Ewing – New York Knicks; Magic Johnson – Los Angeles Lakers; Michael Jordan – Chicago Bulls; Christian Laettner – Minnesota Timberwolves; Karl Malone – Utah Jazz; Chris Mullin – Golden State Warriors; Scottie Pippen – Chicago Bulls; David Robinson – San Antonio Spurs; John Stockton – Utah Jazz. O treinador era o Chuck Daly, do Detroit Pistons.

Por mais incrível que fossem, eles não eram assim, mas se tornaram assim. 
A escolha dos doze apóstolos:

“Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote; Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que se tornou traidor.” Lucas 6:12-16

Que veio a ser traidor. Se tornou.

A pergunta pra nós é: estamos nos tornando o que? Em que? Como? Mais parecidos com Jesus ou com os ícones endiabrados desse mundo? Melhores homens e mulheres para a família, sociedade? Ou estamos apenas em nossa pratica religiosa, até fazendo a obra mas não vendo.a obra dEle em nós?

Jesus tinha muitos seguidores. Naquela noite, Jesus deve ter listado alguns nomes em oração, pois estava escolhendo aqueles que iriam dar continuidade ao seu Ministerio e liderar o povo depois que ele partisse. Não deixariam de ser aprendizes, discípulos mas passariam também a ser chamados de apóstolos que quer dizer: enviados. Tinham as mais variadas características, desde a pessoa rude que era Pedro, o amoroso João, o materialista do Judas, o inquieto e pé-atrás do Tomé. 

É impressionante como a igreja, que deveria ser diversa, tem buscado ser tão igual. Um clube de afinidades. o Dream Team era um time que tinha várias pessoas com habilidades diferentes, com um desenho diferente, dos grandões ao “baixinho” John Stockton, de 1,80m. A igreja não pode ser diferente, precisa de unidade na diversidade, multiformidade, multidisciplinardade. Se quisermos ser um Dream Team, devemos antes entender que somos diferentes uns dos outros, únicos, mas unidos em Cristo. 

Na caminhada com Jesus após ter nos resgatado do atoleiro e das trevas, ele nos leva a uma definição de nossa identidade, propósito e Missão. Para isso acontecer, seu Espírito Santo vem morar em nós conduzindo um processo chamado de regeneração na medida da nossa sujeição a Ele. 

O convite para uma seleção faz dos talentos individuais uma equipe. Há um técnico que guiará um grupo, muitas vezes mudando as individualidades em prol de um objetivo maior. Jesus estava selecionando, entre os discípulos, apóstolos. Esses seriam enviados, forjados, teriam o caráter do próprio Mestre. Interessante que Jesus não foi às multidões para chamar seus apóstolos, mas sim aos que já eram discípulos mostrando que não há como se exercer autoridade e liderança no reino, sem se sujeitar a autoridade e ensino do Mestre.

Na preparação de um time há confrontação e regeneração. Vários confrontos ocorreram naquele time do técnico Jesus. O mais gritante foi o de Judas Iscariotes. Judas foi alguém que não se regenerou mediante a sujeição à liderança e idéias de Jesus. Metia a mão na bolsa ainda que andasse com o Mestre. Andar ao lado de cristãos ou até do lado de Cristo não faz de alguém cristão é preciso tomar o jugo suave. Estar na igreja não transforma ninguém em um cristão da mesma forma que colocar uma bicicleta em uma garagem e espera que ela se transforme em um camaro amarelo. Não é a igreja que vai nos levar a revelar a nossa regeneração mas sim uma entrega em sujeição e amor ao ensino de Jesus e, é bem verdade que essa revelação normalmente ocorre quando saímos da porta da “igreja” pra fora. 

Quem não está em um processo de regeneração está num processo de degeneração. 
Judas, não reconheceu o caráter de Jesus, seus ensinos. Deu lugar ao diabo. Pedro que tinha acabado de revelar, pelo Espírito a todos que Jesus era o Cristo, filho do Deus vivo, também deu lugar ao inimigo e foi repreendido por Jesus. Seu processo era de regeneração. O processo de regeneração admite erros, e Pedro muito errou, negou. O processo de degeneração não admite nem assume os erros pois não passa por arrependimento. Judas não se deixava ser moldado. Várias referências bíblicas explicitam isso. 
Devemos considerar a lista construída por Jesus dia te do Pai em oração como uma lista perfeita e era, talvez não aos nossos olhos mas sim aos olhos do Pai. Interessante que havia Simão, um zelote ativista em prol dos direitos do povo que estava sendo massacrado por Roma, um “revoltado” sentado na mesma mesa com um cobrador de impostos chamado Mateus que ambiência, que time!. Jesus não queria grupos de afinidade, panelinhas, um tipo só de gente. A igreja teima em ser assim. Não devemos ser assim. Cristo não era assim. Precisamos agregar. Precisamos dos diferentes pois por vezes a nossa cura está neles. Quando procuramos os iguais, por vezes estamos nos protegendo dos choques que viriam pelo confronto.”
Precisamos ter convicção de quem somos e do que estamos buscando. Precisamos estar cientes de que estamos num processo de regeneração. Quando Jesus, à mesa, disse que seria traído por um deles, todos perguntaram quem seria, ninguém achava-se traidor apesar de que todos eram, apesar de que todos somos e temos um pouco de “Judas”.

Judas tomou para si a disponível vaga de traidor. Traiu, errou, mas não se deixou ser redimido. Buscou redenção para si através de si. Se enforcou por não aceitar aquele que verdadeiramente poderia lhe redimir. Pedro negou a Cristo, esse certamente mais um de vários erros. Quando foi questionado quanto o seu amor, sua sujeição – “você me ama?”- encontrou sua redenção no arrependimento de coração, diante do Mestre. 

Diariamente somos confrontados hora como Judas, hora como Pedro. Precisamos nos levantar, aceitar a redenção dada por Ele, mergulhar no amor do Pai. Devemos escolher o caminho de regeneração. 

Que Deus abençoe a todos que se confessam necessitados da tua ajuda para regenerar-se. Abençoe também aqueles, que erroneamente, acreditam que o Senhor os abandonou, que os deixou para trás. Transforma Senhor, reconcilia, toca. 

Culto do Aprisco

Alex Cosmo, 24 de março de 2013

Com tecnologia WordPress.com.

Acima ↑